2º turno

Janones, fandons e influencers mobilizam ‘exército de Lula’ nas redes para impulsionar campanha no 2º turno

Deputado reuniu-se com presidente e jovens eleitos; páginas de fãs e canal Vira-Voto Brasil reforçam mobilização

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Canal de WhatsApp 'Exército do Lula', criado por Janones
Canal de WhatsApp ‘Exército do Lula’, criado por Janones | Crédito: Reprodução

Uma mobilização digital que já reúne quase 2 milhões de pessoas em um canal do WhatsApp organizado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG) e a adesão espontânea de grandes fã-clubes (fandoms) de música pop nas redes sociais abriram uma nova frente de disputa para a campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das Eleições de 2026.

A articulação ocorre após a votação do primeiro turno, no último domingo (4), quando o senador Flávio Bolsonaro (PL) terminou na liderança com 47,03% dos votos válidos (56.104.503), ante 45,16% de Lula (53.879.538). A diferença de 2,2 milhões de votos levou a coordenação petista a priorizar o diálogo com eleitores indecisos e os mais de 33 milhões de brasileiros que se abstiveram de votar.

Diante do cenário adverso e do crescimento dessas iniciativas nas redes, Lula reuniu-se com o próprio Janones e com os deputados federais eleitos Ana Elisa (PT-MG) e Pedro Rousseff (PT-MG) para discutir a reorganização da estratégia digital petista e a integração entre a comunicação institucional e as redes de mobilização popular.

Canal no WhatsApp

Após o resultado do primeiro turno, Janones intensificou a atuação por conta própria no canal “Exército do Lula”, criado no WhatsApp. O espaço, que reunia cerca de 50 mil inscritos antes da votação, registrou uma adesão acelerada e alcançou 1,8 milhão de seguidores na manhã desta quarta-feira (7). O objetivo declarado pelo parlamentar é atingir até 3 milhões de participantes nas próximas semanas.

O funcionamento do canal tem sido explicado em vídeos informativos por comunicadoras como Nayara Ruiz. O canal opera por meio da aba “Atualizações” do aplicativo, separada das conversas cotidianas.

O formato é de transmissão unidirecional: apenas Janones publica conteúdos, que incluem áudios e orientações para que os membros cumpram “missões” de postagens coordenadas e convidem novos contatos. A interação dos participantes ocorre por meio de reações com emojis, mecanismo que o deputado utiliza como termômetro de aceitação das mensagens.

O parlamentar mineiro tem defendido publicamente uma alteração no tom da propaganda petista nas redes sociais, que considera institucional e distante do público em geral. Para Janones, a campanha deve priorizar gravações espontâneas feitas com celulares comuns e retratar Lula em situações cotidianas com a população, em um modelo de comunicação com “mais calçada e menos helicóptero”.

Conexão com as ruas

A reunião com o presidente Lula contou também com a participação de parlamentares eleitos de perfil jovem com forte presença nas redes digitais. A deputada federal eleita Ana Elisa, segunda candidata mais votada de Minas Gerais com mais de 500 mil votos, defendeu que a campanha precisa transferir para a internet a mesma intensidade de mobilização demonstrada nos atos públicos de rua.

“O Lula, o Partido dos Trabalhadores e toda a esquerda já levaram o povo para a rua. Agora é fazer a nossa mobilização nas redes sociais. Se não fizermos a nossa mobilização nas redes sociais, não tem chance. Força na rua a gente já mostrou. Agora é o momento de mostrar a força na rede”, declarou Ana Elisa após o pleito.

A estratégia debatida com o presidente envolve a articulação de uma rede de parlamentares e influenciadores digitais com centenas de milhares de seguidores para impulsionar publicações conjuntas e unificar narrativas durante as três semanas que antecedem a votação marcada para 25 de outubro.

Fandoms à disposição da campanha

Outra frente espontânea de apoio surgiu a partir de comunidades de fãs de artistas nacionais e internacionais da música pop e do k-pop. Perfis dedicados a nomes como Beyoncé, Anitta, Taylor Swift, BTS, Blackpink, Lady Gaga, Dua Lipa, Billie Eilish e Ariana Grande divulgaram mensagens conjuntas nas redes sociais colocando seus canais à disposição da campanha de Lula.

Com uma mensagem padronizada direcionada ao perfil oficial do presidente, os administradores das páginas afirmaram: “Nossas redes estão abertas para você e sua equipe. Estamos disponíveis para compartilhar informações de interesse público e conteúdos relacionados à sua campanha, sempre com o objetivo de ampliar o acesso do nosso público às informações”.

Os organizadores das fanbases ressaltaram que o movimento não representa um posicionamento formal dos próprios artistas, mas uma decisão autônoma dos administradores dos perfis.

O foco central dos grupos é engajar o público jovem, combater a abstenção eleitoral e informar eleitores que anularam ou votaram em branco no primeiro turno. A equipe de comunicação de Lula respondeu às páginas por meio de mensagens diretas para estabelecer canais de envio de materiais informativos.

A aproximação das comunidades de fãs com o governo federal já havia registrado um precedente em agosto deste ano. Na ocasião, representantes de fã-clubes de BTS, Taylor Swift e de outros artistas foram recebidos no Palácio do Planalto durante a assinatura de decretos presidenciais que estabeleceram medidas contra o cambismo digital na venda de ingressos e garantiram a distribuição gratuita de água potável em eventos de grande porte.

Vira-Voto Brasil

Em paralelo à atuação focada na disputa por engajamento massivo nas redes, iniciativas organizadas por militantes e comunicadores de esquerda propõem que o ambiente virtual seja utilizado como ferramenta de suporte para o diálogo presencial.

É o caso do projeto Vira-Voto Brasil, articulado por nomes como Débora Baldin, Sabrina Fernandes e Gabrielle Nascimento, com apoio de comunicadoras como Laura Sabino. A iniciativa reúne milhares de voluntários por meio de um canal no aplicativo Telegram e de grupos estaduais de organização prática.

O movimento defende uma metodologia denominada “vira-voto enraizado”, partindo do princípio de que o envio massivo ou passivo de mensagens na internet não é suficiente para converter votos.

Os guias distribuídos pelo grupo orientam que os ativistas identifiquem os ambientes e círculos sociais onde já possuem laços de confiança e convivência, como locais de trabalho, comunidades de vizinhança, escolas ou familiares, para conduzir conversas individuais sobre as propostas e o impacto das políticas públicas na vida cotidiana.

Editado por: Rafaella Coury

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