Contra o genocídio

Manifestantes pró-Palestina são agredidos em ato contra homenagem a porta-voz de Israel na Câmara de SP na ocasião dos três anos do genocídio em Gaza

Advogado que acompanhava ato afirma ter sido alvo de violência física e racista

No audio source provided.

Manifestantes que participavam de um ato em solidariedade à Palestina foram agredidos durante uma homenagem ao major Rafael Rozenszajn, porta-voz das Forças de Defesa de Israel (FDI) para países de língua portuguesa, na Câmara Municipal de São Paulo (SP). O evento foi realizado na noite de terça-feira (6), véspera da data que marca a intensificação do genocídio cometido por Israel em Gaza, que já deixou mais de 70 mil pessoas mortas.

Segundo relatos enviados ao Brasil de Fato, integrantes da Guarda Civil Metropolitana (GCM) e pessoas que participavam da cerimônia usaram violência para retirar os manifestantes do local. Em vídeos publicados nas redes sociais, é possível ver um agressor puxando o cabelo de um dos ativistas e outra pessoa colocando a mão na boca de uma manifestante.

A homenagem a Rozenszajn foi organizada pela vereadora Cris Monteiro (Novo) e por Gerson Pires, que concorreu ao cargo de deputado estadual pelo Novo.

O advogado Tiago Guilherme estava no local para acompanhar juridicamente os manifestantes. Segundo ele, o grupo fazia uma manifestação silenciosa e pretendia apenas levantar cartazes durante a cerimônia.

“Foi uma manifestação completamente pacífica, silenciosa, de levantar alguns cartazes para denunciar o genocídio“, relatou Guilherme ao Brasil de Fato. Segundo ele, quando os participantes começaram a abrir os cartazes, foram contidos e agredidos.

Manifestante é agredida durante ato em solidariedade à Palestina na Câmara de São Paulo
Manifestante é agredida durante ato em solidariedade à Palestina na Câmara de São Paulo | Crédito: Reprodução/Redes sociais

O advogado afirma que começou a filmar a ação e também foi alvo de agressões. Ele relata ter levado um golpe conhecido como mata-leão, ter sido puxado pelos cabelos e recebido insultos racistas. “Eu fui chamado de macaco”, afirmou.

Segundo ele, o médico Cássio Pelegrinim, que participava do ato, teve a camiseta rasgada e também foi agredido. Guilherme afirma ainda que ele, Pelegrinim e outra participante foram imobilizados com golpes de mata-leão.

“Todo mundo levou soco. Tanto eu quanto o Cássio levamos mata-leão, puxaram meu cabelo”, afirmou o advogado. Segundo ele, há registros em vídeo das agressões.

Após intervenção da Guarda Civil Metropolitana, os manifestantes foram encaminhados para atendimento médico e, posteriormente, para uma delegacia, onde prestaram depoimento. Segundo Guilherme, eles foram liberados em seguida.

A Presidência da Câmara afirmou ao Brasil de Fato que a atuação da Guarda Civil Metropolitana da Casa ocorreu “exclusivamente para garantir a segurança de ambos os lados e a continuidade do evento”. Segundo a Presidência, a cerimônia foi realizada sob responsabilidade do gabinete da vereadora Cris Monteiro.

O Brasil de Fato procurou o gabinete da vereadora, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo e a Guarda Civil Metropolitana para questionar as circunstâncias da intervenção, as denúncias de agressões e a atuação dos agentes de segurança. Até a publicação desta reportagem, não houve retorno. O espaço permanece aberto para manifestação.

Nas redes sociais, os organizadores da homenagem argumentam que os manifestantes interromperam a cerimônia e os acusaram de “defender grupos terroristas”.

Israel assassinou mais de 74 mil palestinos em três anos

A ofensiva genocida israelense contra a Faixa de Gaza, iniciada após a ação liderada pelo Hamas em 7 de outubro de 2023, deixou ao menos 74.245 palestinos mortos, segundo o Ministério da Saúde de Gaza. Ataques e bombardeios devastaram bairros inteiros, destruíram hospitais, escolas, redes de água, energia e outras estruturas essenciais para a população do território.

Mesmo após o anúncio de um cessar-fogo em outubro de 2025, a violência não parou. Segundo o Ministério da Saúde de Gaza, 1.462 palestinos foram mortos desde a entrada em vigor do acordo, enquanto ataques e outras operações militares israelenses continuaram no território.

O genocídio também provocou deslocamentos sucessivos e levou a uma crise humanitária de grandes proporções. Em setembro, 94% da população de Gaza ainda necessitava de abrigo e assistência doméstica básica, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), e 65% das famílias viviam em tendas ou estruturas improvisadas.

Editado por: Rafaella Coury

|

Newsletter