Papo reto

‘Não ataque, converse’, diz cientista política sobre estratégia para o segundo turno

Larissa Peixoto Gomes destaca a importância do diálogo cotidiano e da mobilização focada em abstenções e eleitores

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Militantes e lideranças do PSOL se reúnem no Conic, em Brasília, para organizar a campanha do segundo turno
Militantes e lideranças do PSOL se reúnem no Conic, em Brasília, para organizar a campanha do segundo turno | Crédito: @zeluoficial/midia ninja

A mobilização do campo progressista para o segundo turno está ampliando positivamente nas redes sociais, mas a estratégia é também a conversa, aponta a doutora em ciência política e pesquisadora na Universidade de Edimburgo, Larissa Peixoto Gomes.

“Conversar é essencial, falar com alguém que você conhece: ‘Ah, eu não gosto de nenhum dos dois’. Ok, você não gosta de nenhum dos dois, mas um quer te dar um soco na cara e o outro quer te dar um aperto de mão. Você não gosta que encostem em você, mas você prefere um soco na cara ou um aperto de mão. Eu já vi várias dessas analogias sendo feitas e eu acho que é trabalhar no que você pode falar e quem é o público”, disse Gomes, em entrevista ao Conexão BdF 1ª edição, da Rádio Brasil de Fato.

A cientista política lembrou que há uma certa letargia, provocada por uma massificação de um discurso político. “As pessoas ficam com preguiça de conversar e também há essa dificuldade de conversar com as pessoas que estão massificadas, das pessoas que estão fazendo parte dessa seita bolsonarista.”

Outro ponto que deve ser discutido é a proposta de mudança da Constituição que Flávio Bolsonaro começou a cogitar. “A base de Flávio não conhece a Constituição. Ela não sabe a proteção que a brasileira oferece. Ela não sabe como a Constituição brasileira é vista, por exemplo, no exterior. A Constituição de 1988 é preciosa. A ideia de que, por exemplo, transporte é um direito constitucional, direitos humanos, o que são as garantias que estão nas cláusulas pétreas. O que a Constituição representa para a educação, para o SUS, a farmácia popular, que é uma coisa que muitos brasileiros usam, tudo isso entra num certo risco.”

Esse discurso, no entanto, pode não ter efeito para parte do eleitorado fiel ao bolsonarista, que vai alegar que é fake news, por isso, aposta no eleitorado que se absteve no primeiro turno. “A gente tem que chegar nas abstenções, nos nulos, nas pessoas que não foram, nas pessoas do [Augusto] Cury, nas pessoas do Renan Santos para poder falar”.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Gia Matheus Almeida

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