Eleições 2026

Nomes da direita radical e políticos controversos perdem espaço em Minas

Eduardo Cunha e Aécio Neves ficaram fora das vagas em disputa

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Da esquerda para direita: Aécio Neves, Eduado Cunha e Marcela Trópia | Crédito: Reprodução

Apesar de ter feito uma votação expressiva para o legislativo em 2026, a direita radical não conseguiu eleger alguns nomes controversos ou envolvidos em disputas judiciais, que não conseguiram transformar a exposição pública em novas cadeiras no Congresso Nacional ou na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).

Entre os casos mais emblemáticos está o de Eduardo Cunha (Republicanos), ex-presidente da Câmara dos Deputados. Candidato a deputado federal por Minas Gerais, ele teve o registro negado pelo Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG), que considerou que o político permanecia inelegível até 2027 em razão da cassação de seu mandato parlamentar, em 2016. Mesmo com recurso, Cunha recebeu 32.075 votos e não foi eleito.

A decisão da Justiça Eleitoral ocorreu em setembro e foi mantida pelo TRE-MG, após recurso apresentado pela defesa. A cassação do mandato de Cunha havia ocorrido por quebra de decoro parlamentar. O tribunal considerou que o prazo de oito anos de inelegibilidade deveria ser contado a partir do fim da legislatura correspondente, mantendo a restrição até 2027.

Aécio fora do Senado

Outro resultado que chama atenção é o de Aécio Neves (PSDB). Após quatro décadas ocupando cargos eletivos, o ex-governador e ex-senador mineiro não conseguiu retornar ao Senado.

Aécio terminou a disputa em sétimo lugar, com 836.595 votos, correspondentes a 4,08% dos votos. As duas vagas ficaram com Domingos Sávio (PL), que recebeu 4,96 milhões de votos, e Marília Campos (PT), com 3,99 milhões.

Diferentemente de Eduardo Cunha, Aécio teve a candidatura deferida pela Justiça Eleitoral. Portanto, o resultado não deve ser apresentado como consequência de uma inelegibilidade ou de uma condição de “ficha-suja”. A derrota representa uma mudança significativa na trajetória política do tucano, que, pela primeira vez em 40 anos, ficará sem mandato eletivo.

O resultado também evidencia a perda de força eleitoral de um dos principais nomes da política mineira das últimas décadas. Aécio foi deputado federal, governador de Minas Gerais, senador e candidato à Presidência da República em 2014.

Direita radical não transforma todos os nomes em votos

A eleição também mostrou que a força da extrema direita mineira não se traduziu automaticamente em vitória para todos os candidatos ligados ao campo radical.

Um dos exemplos é Vile Santos (PL), vereador de Belo Horizonte eleito em 2024. Na disputa deste ano para deputado federal, ele recebeu 17.548 votos e terminou como suplente.

O resultado contrasta com a expressiva votação de outros nomes do PL. Nikolas Ferreira, por exemplo, foi o deputado federal mais votado do estado, com mais de 3,1 milhões de votos, e a legenda conquistou a maior bancada mineira na Câmara, com 21 cadeiras.

A votação de 2026 não representa uma rejeição uniforme à extrema direita. Ao contrário: o campo político segue eleitoralmente forte.

Marcela Trópia fica sem vaga na Assembleia

Na disputa pela Assembleia Legislativa, Marcela Trópia (NOVO), vereadora de Belo Horizonte, também não conseguiu conquistar uma cadeira.

Ela recebeu 39.164 votos e terminou na 93ª posição entre os candidatos a deputado estadual. Dentro do NOVO, ficou atrás dos dois candidatos que conquistaram as vagas da legenda: Dr. Maurício e Zé Laviola.

O desempenho mostra a dificuldade de determinados nomes da direita e do campo liberal-conservador em converter votações concentradas, especialmente na capital, em cadeiras no Legislativo estadual. No caso de Marcela, 70,7% de seus votos vieram de Belo Horizonte.

Editado por: Lucas Wilker

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