OS COELHOS TÊM LADO

Povo de Petrolina deu 60% dos votos a Lula, mas prefeito declara apoio a Flávio Bolsonaro

A cidade recebeu R$774 milhões em investimentos voluntários do governo Lula, que tem apoio da maioria da população local

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Simão Durando (à esquerda), prefeito de Petrolina (PE), afirma apoio à eleição de Flávio Bolsonaro
Simão Durando (à esquerda), prefeito de Petrolina (PE), afirma apoio à eleição de Flávio Bolsonaro | Crédito: Instagram de Simão Durando

Na manhã desta quarta-feira (7), o prefeito de Petrolina, Simão Durando, fez questão de participar, em Brasília (DF), do evento em que o seu partido União Brasil (UB) declarou apoio à eleição de Flávio Bolsonaro (PL) para presidente da República. Durando publicou nas suas redes sociais uma foto ao lado do filho do ex-presidente. Ao longo deste mandato de Lula da Silva (PT) na Presidência da República, Petrolina recebeu R$ 774 milhões em investimentos voluntários do Governo Federal, uma média de R$ 195 milhões por ano.

Na publicação, o prefeito escreveu: “Hoje, estive com o deputado Fernando Filho em Brasília para participar do encontro das lideranças do nosso partido com o próximo presidente da República, Flávio Bolsonaro”, alegando ainda que a decisão teria sido tomada pensando em “mais segurança, justiça, desenvolvimento, saúde e educação”. Eleito vice-prefeito em 2020, Simão Durando assumiu o cargo 2022 após o titular Miguel Coelho deixar a prefeitura para tentar, fracassadamente, se eleger governador de Pernambuco. Simão foi reeleito em 2024 e conta com o apoio dos seus padrinhos políticos da família Coelho, dinastia que domina a política na região há décadas.

Desde 2023, início do mandato de Lula, Petrolina recebeu ao menos 65 repasses, dos quais 24 foram direcionados à saúde (R$ 455 milhões), principalmente para a garantia do pagamento do piso salarial aos trabalhadores da enfermagem (R$ 29,7 milhões), dos agentes comunitários de saúde (R$ 65 milhões), obras estruturais em unidades básicas de saúde, transformação digital na rede municipal de saúde, realização de procedimentos de média e alta complexidade, assistência farmacêutica e vigilância sanitária.

Para a educação em Petrolina, o governo Lula enviou R$ 163 milhões divididos em 14 repasses para garantir desde o pagamento dos salários dos professores, apoio à alimentação escolar (R$ 31,7 milhões), suporte à implementação da educação em tempo integral (R$ 5,1 milhão), até obras de infraestrutura escolar (R$ 11,8 milhões), manutenção e ampliação da rede de educação básica (R$ 13,9 milhões) e do transporte escolar (R$ 6,2 milhões). Todos os dados foram obtidos pela reportagem no Portal da Transparência do Governo Federal.

Os investimentos federais em Petrolina também contemplam as áreas desenvolvimento econômico local (R$ 76,8 milhões), turismo (R$ 37,1 milhões), assistência social (R$ 17,1 milhões), cultura (R$ 7,1 milhões) e outras áreas.

No último domingo (4), o presidente Lula recebeu 60,2% dos votos dos eleitores petrolinenses, contra 32,8% de votos dados a Flávio Bolsonaro. E apesar de darem mais de Petrolina dar mais de 50 mil votos ao ex-prefeito Miguel Coelho, ele não foi eleito deputado federal. A família reelegeu o federal Fernando B. C. Filho e o estadual Antônio Coelho, todos filiados ao União Brasil.

STF preocupa os Coelhos

Em fevereiro deste ano, a Polícia Federal realizou a Operação Vassalos — autorizada por Flávio Dino, do STF — para investigar possíveis desvios de emendas parlamentares destinadas à prefeitura de Petrolina e à Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba (Codevasf) durante a gestão do ex-prefeito Miguel Coelho (União Brasil), quando seu pai Fernando Bezerra Coelho era Senador e seu irmão Fernando Coelho Filho (União Brasil), reeleito no último domingo (4), já era deputado federal.

Para o ministro Dino, há indícios de desvio de recursos federais, enviados através de emendas parlamentares e termos de execução descentralizadas (TEDs), que estavam sendo destinados à prefeitura e à Codevasf para obras de pavimentação de ruas em Petrolina. O juiz do Supremo estranhou a elevada concentração de recursos para o mesmo tipo de obra, no mesmo município e cuja empresa vencedora das concorrências era também a mesma, supostamente vinculada a familiares dos investigados. Dino autorizou a quebra de sigilo telefônico, rastreamento de linhas utilizadas pelos investigados e a apreensão de dinheiro e bens de alto valor encontrados.

Editado por: Vinícius Sobreira

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