VIDA DAS MULHERES

Quatro mulheres são vítimas de feminicídio em apenas dois dias no Rio Grande do Sul

Casos ocorreram em Barra do Guarita, Alegrete, Porto Alegre e Caxias; cinco homens suspeitos foram presos em flagrante

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Banco com nomes das vítimas de feminicídio em 2026 | Crédito: Pedro Stahnke/Sul 21

Quatro mulheres foram vítimas de feminicídio no Rio Grande do Sul entre domingo (4) e segunda-feira (5). Com isso, o estado chega a 60 casos de feminicídio somente em 2026. Cinco homens suspeitos de envolvimento nos crimes foram presos.

O primeiro caso ocorreu em Barra do Guarita, na fronteira Noroeste do estado, na manhã de domingo (4).  Segundo a Polícia Civil, um homem venezuelano de 32 anos que não teve o nome divulgado perseguiu e matou a companheira, também venezuelana, Noraysis El Carmen Planche, de 36 anos. Após o crime, o suspeito feminicida tentou suicídio, mas foi preso em flagrante e internado no Hospital Santo Antônio do município de Tenente Portela. Não havia registros de violência doméstica ou medidas protetivas contra o homem.

A segunda ocorrência também se deu na manhã do mesmo dia, em Alegrete. O soldado do exército Ellinton Moura Silva, de 23 anos, foi preso em flagrante pelo feminicídio da ex-companheira Ana Cristina Pinheiro Milano do Canto, de 21 anos, de acordo com a Polícia Civil. A investigação apontou que a arma utilizada no crime foi furtada da unidade militar em que o soldado trabalha.

A irmã de 29 anos da vítima, que não teve o nome divulgado, também foi baleada, mas sobreviveu. O autor do crime ainda atirou contra um vizinho da vítima que tentou evitar a fuga, mas não o atingiu. Não havia registros de violência doméstica anteriores.

Já na manhã desta segunda-feira (5), Douglas Vinicius dos Santos Bernardo, de 29 anos, foi preso em flagrante suspeito de ter assassinado a facadas a companheira Thamires de Araújo Rodrigues, 24 anos, no bairro Restinga, em Porto Alegre. De acordo com a Polícia Civil, a vítima tinha dois filhos com o homem – um menino de quatro anos e uma menina de apenas três meses. Douglas não tinha histórico de violências anteriores.

O caso do feminicídio de Thamires reacendeu demandas de movimentos femininos da Restinga em prol da instalação de uma Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) no bairro em que mais ocorrem casos de violência contra as mulheres na capital gaúcha, de acordo com o Boletim Violência contra as Mulheres em Porto Alegre. A União das Mulheres da Restinga e Extremo Sul convocou uma mobilização para o próximo sábado (10) em homenagem a Thamires e a outras vítimas. O ato começa às 13h na Esplanada da Restinga (Estr. João Antônio da Silveira, 2359).

O quarto caso ocorreu também na segunda-feira, quando Susiele Santos de Brito, de 32 anos, foi assassinada em Caxias do Sul por dois homens sem identidade divulgada, conforme a investigação da Deam local. Um deles, de 35 anos, era companheiro de Susiele, contra o qual não havia qualquer registro de violências anteriores. O outro, de 32 anos, confessou envolvimento no crime. Ambos foram presos em flagrante.

O feminicídio é o assassinato de mulheres por razões de gênero e representa o ato de violência e discriminação mais extremo contra o gênero feminino. Geralmente, é precedido de outras violências e é cometido em relações de proximidade, como por companheiros ou ex-companheiros.

Isadora Zorzi, advogada da associação Themis, indica que os quatro casos ocorridos no início desta semana se assemelham a outras ocorrências de violências de gênero. “São casos que se inserem no que a gente já vem observando nessa escalada de violência no RS. Três deles foram cometidos por companheiros das vítimas, e um por um ex-namorado”, comenta.

A advogada também destaca que o reconhecimento e a denúncia das violências por parte das mulheres vítimas é importante para a sua proteção. “O que a gente observa é que uma mínima parcela dessas mulheres que são vítimas de feminicídio tem medida protetiva de urgência, o que nos mostra que essa política, em que pese não seja infalível, ela salva vidas”, diz Isadora.

Nesse sentido, ela aponta que, além do acesso às forças policiais para a solicitação da medida protetiva, é importante que a disseminação de informações a respeito das violências contra as mulheres e sobre a discriminação de gênero seja garantida.

Denuncie 

Se você é vítima ou conhece alguém que sofre violência doméstica e familiar, denuncie. As denúncias podem ser feitas de forma anônima, inclusive sem o consentimento expresso da vítima.

180 – Central de Atendimento à Mulher 24h.

190 – Brigada Militar, para emergência imediata.

100 – Denúncia de violações de Direitos Humanos/Crianças e adolescentes.

Se a violência já aconteceu, a vítima pode registrar Boletim de Ocorrência e solicitar medida protetivas na Delegacia Especializada de Atendimento (Deam) de sua cidade ou em qualquer Delegacia da Polícia Civil.

A ocorrência também pode ser registrada online via Delegacia de Polícia Online da Mulher RS.

Para mais informações, podem ser procurados os Centros de Referência à Mulher (CRAM), os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e a Themis – Gênero, Justiça e Direitos Humanos, que realizam atendimentos a vítimas de violência.

Editado por: Sul21
Conteúdo originalmente publicado em: Sul21

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