EFEITO DAS SANÇÕES

Venezuela controla incêndio em refinaria de Cardón após ruptura em linha de gás

Medidas coercitivas aplicadas pelos EUA há mais de uma década limitam investimentos nas estruturas da petroleira estatal

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Incêndio na refinaria de Cardón forçou a paralisação das atividades.
Incêndio na refinaria de Cardón forçou a paralisação das atividades. | Crédito: Venezolana de Televisión (VTV)

Um incêndio provocado pela ruptura de uma linha de gás natural forçou a paralisação das atividades da refinaria de Cardón, no estado de Falcón, na Venezuela. O incidente ocorreu às 15h25 de terça-feira (6) e afetou o fornecimento para as caldeiras da unidade, integrante do Centro de Refino Paraguaná.

Segundo a estatal Petróleos da Venezuela (PDVSA), os protocolos de segurança foram acionados imediatamente e as chamas foram controladas pela equipe de emergência. A empresa informou que não houve trabalhadores feridos nem danos materiais de grande proporção, e que as plantas foram paralisadas preventivamente para a avaliação das instalações.

“Conforme estabelecem as normas de segurança industrial, foi constituído o devido Comitê de Investigação, com o objetivo de determinar as causas que provocaram este evento. Cabe destacar que o Sistema Nacional de Refino conta com estoques suficientes para garantir o fornecimento de combustíveis ao povo venezuelano”, disse a PDVSA em um comunicado.

A refinaria de Cardón é a segunda maior do país, com capacidade para processar 310 mil barris de petróleo por dia. O complexo de Paraguaná, do qual faz parte, possui capacidade total de 955 mil barris diários. 

Deterioração provocada pelo bloqueio econômico

A interrupção das operações na refinaria de Cardón reflete o quadro de desmonte e desgaste acumulado pela indústria petroleira venezuelana ao longo de 11 anos de sanções unilaterais aplicadas pelo governo dos Estados Unidos. Desde a decretação das primeiras medidas coercitivas, a infraestrutura energética do país enfrenta severas restrições para a aquisição de peças de reposição, acesso a tecnologias de manutenção e contratação de serviços especializados.

Dados oficiais do governo venezuelano indicam que o país foi alvo de 1.088 sanções, das quais cerca de 950 continuam em vigor. Entre os anos de 2017 e 2024, o bloqueio econômico gerou um prejuízo estimado em US$ 226 bilhões apenas em receitas petroleiras não auferidas pela PDVSA, além de cortar o acesso do país ao sistema financeiro internacional e reter ativos venezuelanos no exterior.

Especialistas e autoridades denunciam que a impossibilidade de realizar investimentos contínuos e a retenção de recursos financeiros sufocam a capacidade operacional das refinarias. 

Editado por: Gia Matheus Almeida

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