Bora pra rua

Datafolha desta quinta ‘reforça confiança na virada de Lula’ diz Boulos, em ato em SP

Secretário-Geral da Presidência e liderança do MTST cobrou humildade, conversas 'olho no olho' e foco em indecisos

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Multidão ocupou a Praça Roosevelt, no centro de São Paulo, para apoiar a candidatura de Lula | Crédito: Gia Matheus Almeida/BdF

O Secretário-Geral da Presidência da República e liderança do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos, comemorou o resultado da primeira pesquisa Datafolha sobre o segundo turno, que apontou um empate técnico entre os candidatos a presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), divulgada nesta quinta-feira (8). “Eu tenho muita confiança de que o presidente Lula tem força, pelo tamanho da liderança dele, junto com esse time que está aqui, para virar o jogo”, afirmou.

Na pesquisa, Flávio aparece com 52% dos votos válidos e Lula com 48%. Boulos recordou que a primeira pesquisa após o primeiro turno das eleições de 2014 mostrava o candidato do PSDB, Aécio Neves, à frente da posteriormente vitoriosa Dilma Rousseff (PT). “Ele chegou a abrir champanhe com [o apresentador] Luciano Huck, dizendo que tinha ganho a eleição. Deu no que deu. Aqueles que estão cantando vitória agora talvez tomem o champagne amargo que o Aécio tomou em 2014”, ironizou.

O ministro falou durante mobilização de apoiadores de Lula na Praça Roosevelt, no centro de São Paulo, que ficou lotada na noite desta quinta. Convocado por diferentes movimentos populares, o ato abriu o microfone para vários nomes eleitos do PT e do Psol, e amplificou assim diversos discursos sobre como virar o resultado do 1º turno.

Falando aos presentes, Boulos deu orientações sobre como a campanha deverá seguir. “Esse segundo turno não é o momento de falar só para nós mesmos”, apontou, enumerando na sequência três orientações: “não perder tempo falando com bolsonaristas convictos, ter humildade na conversa e lembrar constantemente dos riscos de uma nova vitória do bolsonarismo”.

“É preciso que, de manhã, de tarde e de noite, no ponto de ônibus, na escola, na universidade, no serviço, na porta da igreja, na mesa do bar, onde quer que você esteja. No grupo de zap, na rede social. Que vocês conversem com as pessoas tête-à-tête, com humildade, olho no olho, e mostrem o que vai acontecer se Flávio Bolsonaro ganhar essa eleição”, afirmou.

O ato reuniu milhares de estudantes, que portavam faixas e bandeiras em apoio a Lula. A diretora da UNE, Bianca Borges, elogiou estudantes do Mackenzie que compareceram ao ato após a universidade proibir, nesta semana, uma reunião de alunos pró-Lula. “Nós vamos mostrar que o Mackenzie é a universidade mais vermelha deste país, em mobilização permanente a partir de hoje”, afirmou.

Estudantes mobilizados no ato de apoio a Lula, em São Paulo – Foto: Lia Bianchini

As desgraças da extrema direita

Os problemas causados pelo bolsonarismo durante seus quatro anos no poder apareceram em diversos discursos, assim como os riscos do que aconteceria em um novo mandato. “Nós não podemos permitir que levem as nossas terras raras para os Estados Unidos”, declarou a deputada federal reeleita Sônia Guajajara (Psol-SP).

A deputada estadual Ediane Maria recordou que o plano de corte de gastos de Flávio Bolsonaro coloca em risco diversas conquistas do povo brasileiro. “Não vai atualizar a aposentadoria, vai acabar com a Farmácia Popular, vai desestruturar o SUS, que é o que o pai dele fez, e o Lula e o governo tiveram que reestruturar”, afirmou.

Ela recordou que Lula tem a seu favor um povo que, de fato, foi beneficiado por sua política. “Ele veio para o estado de São Paulo [fugindo] da fome, da seca, com a sua mãe e os seus irmãos. E o que eles querem é que a gente perca a memória, que a gente ache que entrar na universidade sempre foi um direito nosso”, afirmou.

A deputada estadual Sofia Favero, eleita para seu primeiro mandato, denunciou as cortinas de fumaça da extrema direita para esconder seus crimes e recordou a tragédia da pandemia.

“A extrema direita tem como principal pauta o ódio a pessoas trans. Dizem que somos as maiores inimigas desse país. Mas nós estamos aqui para dizer que os maiores inimigos são o ‘Dark Horse'”, disse, se referindo ao filme sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), para o qual Flávio pediu R$ 134 milhões ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso acusado de fraude.

“São eles que dizem que, quando tiveram filhas, é porque fraquejaram. São eles que dizem que mulheres são fracas e que mataram 300 mil mulheres na pandemia, 4.000 adolescentes e 15 crianças”, concluiu.

A deputada Erika Hilton também recordou as tragédias do governo anterior. “O Bolsonaro permitiu, por negligência, mais de 700 mil mortos durante a pandemia. Nós tivemos uma devastação dos territórios e das vidas das populações indígenas do nosso país. As pessoas estavam voltando para o osso. O Brasil, para o mapa da fome. A gente não vai reviver esse passado porque a gente quer colocar no poder o presidente do Minha Casa, Minha Vida”, disse.

O povo em peso

O ato reuniu pessoas de diversas faixas etárias. Bancária aposentada e hoje professora de Matemática, Alcione Gasparello de Araújo, de 67 anos, foi ao ato sozinha. “Eu venho aqui porque o Lula é um político que está preocupado com o povo, que respeita a Constituição. Ele tirou o Brasil do mapa da fome. Ele não tira os direitos trabalhistas, muito pelo contrário, apoiou o projeto do fim da escala 6×1”, disse.

Ela contou que já está mobilizada para convencer seus amigos na faixa etária acima dos 70 anos a votar no segundo turno. “Eu falo, você quer que eu te leve? Eu me disponho aí. Se tiver dificuldade, nós vamos”, relatou.

A contadora Janaira Dourado, de 45 anos, disse que, até o dia 25, pretende falar com pessoas com quem costumeiramente não troca sobre política. “Um dos meus trabalhos é fazer com que as pessoas consigam sair da bolha, usando justamente o conhecimento da gestão, de negócio, para dizer o quanto o Lula também beneficiou essas áreas”, explicou.

Editado por: Rodrigo Gomes

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