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Eleitor deu recado geral nas urnas: não quer mais falar de passado, avalia cientista político

Rudá Ricci diz que apoios de Zema e Caiado são irrelevantes e comenta os riscos e estratégias para o segundo turno

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8 milhões de paranaenses, aptos a votar, foram às urnas neste domingo (4)
8 milhões de paranaenses, aptos a votar, foram às urnas neste domingo (4) | Crédito: Divulgação/TRE-PR

O presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, admitiu o plano para tentativa de golpe em 8 de janeiro de 2023, mas procurou minimizar o episódio ao dizer que o planejamento não foi bem sucedido. “Tudo bem, discutiram de dar o golpe, mas não deram o golpe, e daí?”, declarou em entrevista ao programa “Timeline”, da Rádio Gaúcha. Além disso, reforçou que o primeiro ato de Flávio Bolsonaro como presidente da República, caso seja eleito, será libertar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos e três meses de prisão pela trama golpista.

Questionado sobre a possibilidade de tentativa de golpe em caso de derrota, Costa Neto deu de ombros e disse: “Sei lá”.

Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, o cientista político Rudá Ricci avalia que as declarações de Costa Neto são esperadas, pois “quem promove e se envolve com golpes obviamente vai defender seus iguais”, e que não há surpresas a respeito das intenções do Congresso eleito no último domingo (4). “A gente vai ter as prisões, as celas abertas. Eles estão dizendo que vão abrir… 49 senadores eleitos fizeram ataques a Alexandre de Moraes e saíram na defesa dos que ameaçaram a democracia brasileira”, afirma. “E Valdemar, a gente já conhece: vai de acordo com a música que toca”, reforça.

Flávio Bolsonaro recebeu, ao longo da semana, apoio dos ex-presidenciáveis Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (MDB). Já Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante) mantiveram, até o momento, a neutralidade. Para Ricci, essa movimentação é irrelevante. “Os que declararam voto não têm importância nenhuma. Os partidos até podem ter, mas também depende”, afirma.

Além disso, o cientista político acredita que a migração de votos desses candidatos para Flávio, em sua maioria, já aconteceu e aponta a pesquisa divulgada nesta quinta-feira (8), que mostra vantagem do senador sobre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de 6 pontos percentuais. “Isso não representa o apoio que ele está recebendo. Vamos lembrar que em 2014 isso aconteceu com Aécio Neves e ele perdeu a eleição. Não estou dizendo que Lula vai virar, não. Mas estou dizendo que, na prática, esses apoios não têm muito significado, é mais marketing”, pondera.

Rudá Ricci considera que é possível “ajeitar a rota”, mas não é possível prever se isso vai surtir efeito e levanta uma provocação: a necessidade de a “velha guarda do PT” entender que precisa abrir espaço para o novo. “Isso de renovação que vem se falando agora não é de hoje, está sendo falado há anos. Mas os velhos brancos do PT, como eu, do Sudeste, bloquearam a renovação no PT. Só para trazer um dado: apenas 4% dos candidatos do PT tinham menos de 30 anos e foram eles quem deram show de votação”, analisa.

Segundo Ricci, existe um recado das urnas que não pode ser ignorado: que o eleitor não quer mais falar de passado e uma grande parte quer senadores que ataquem o Supremo Tribunal Federal (STF). “Não elegeram José Dirceu, Paulo Teixeira e Rui Falcão. Toda essa geração que fundou o PT foi rejeitada. O eleitor está dizendo algo muito claro: ‘Não quero que falem mais do passado'”, avalia.

Sobre os debates, Ricci diz: “Embora Flávio tenha anunciado que vai, calculo que a campanha dele quer que ele se ausente. É exatamente o que Lula fez no primeiro turno. Vamos supor que ele vá. O que vai importar no debate são os cortes que vão para as redes. Mas isso não é de agora, já faz tempo. Os debates não vão discutir programas; eles não tiveram importância alguma na campanha.”

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Gia Matheus Almeida

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