BALANÇO ELEITORAL

Esquerda mantém tamanho e bolsonarismo perde duas cadeiras na Assembleia Legislativa de Pernambuco; veja como fica a composição do parlamento pernambucano

Centro-esquerda tem ao menos 10 cadeiras no parlamento estadual; bolsonarismo recua de 13 para 11; centrão supera as 25

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João Paulo discursa Alepe
Deputado João Paulo (PT) discursa em sessão na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) | Crédito: Roberto Soares / Alepe

No domingo (4), quando 5,9 milhões de pernambucanos entraram na cabine de votação, mais de 10% deles (mais de 600 mil) optaram por não votar para deputado estadual. Já os que votaram, definiram os 49 nomes que devem propor leis estaduais e fiscalizar o trabalho do Executivo de 2027 a 2030. Entre atuais deputados, 32 foram reeleitos (65,3%) e 17 foram trocados (34,7%). A centro-esquerda ficou com entre 10 e 13 cadeiras, mesmo tamanho atual. O bolsonarismo recuou de 13 para 11, com saídas de nomes como os evangélicos Joel da Harpa e o pastor Cleiton Collins. O “centrão” segue dominante, com metade da casa.

A esquerda “mais firme” na Alepe conta hoje com Dani Portela, o ex-prefeito João Paulo, o líder dos agricultores Doriel Barros e a jovem sem terra Rosa Amorim, todos do PT. Esta última foi eleita deputada federal, enquanto Doriel não conseguiu renovar sua vaga, apesar dos 46,2 mil votos. Mas quem chega? As caras novas na bancada são a líder sindical dos trabalhadores rurais será substituído pela líder sindical dos professores da rede pública, Ivete Caetano (PT), que recebeu 63 mil votos; a deputada federal Maria Arraes (PSB), agora estadual com 75,9 mil votos; e o ex-vereador olindense Vinicius Castello (PCdoB), escolhido por 49,9 mil eleitores.

A se observar como votarão na próxima legislatura Breno Araújo (PT), recém-eleito e marido da prefeita petista de Serra Talhada, Mácia Conrado; o agora petista, João Paulo Costa, irmão do ex-ministro Silvio Costa Filho (Republicanos); e os três eleitos pelo Partido Verde: Joaquim Lira (PV) e João de Nadegi (PV), ambos reeleitos e filhos de ex-prefeitos, e a estreante Lara Santana (PV), filha do prefeito do Ipojuca, Carlos Santana e da deputada estadual Simone Santana. Os suplentes da federação Brasil da Esperança (PT-PCdoB-PV) são os atuais deputados Doriel Barros (PT, 1º), Gilmar Júnior (PV, 2º) e a vereadora Cida Pedrosa (PCdoB, 3º).

Ainda na centro-esquerda, os deputados Cayo Albino (PSB), Eriberto Filho (PSB) e Bruno Marques (PSB) — além da já citada Maria Arraes (PSB) — foram os únicos da bancada de nove eleitos que sinalizaram, explícita ou discretamente, apoio à reeleição do presidente Lula (PT). No PSB, os eleitos Rodrigo Farias, Francismar Pontes, Batista Cabral (irmão de Lula Cabral, prefeito do Cabo de Santo Agostinho), o vereador Romerinho Jatobá e mesmo o presidente estadual do partido, Sileno Guedes (PSB), ainda não fizeram demonstrações públicas de apoio a Lula.

A bancada do PSB na Alepe contava com oito nomes e subiu para nove. Dois perderam mandatos: Diogo Moraes e Romero Albuquerque. As novas caras do PSB são quatro, os já citados Arraes, Marques, Cabral e Jatobá. Os suplentes do partido são Diogo Moraes (1º), Aderaldo Pinto (2º), Túlio Arruda (3º) e só então Romero Albuquerque (4º).

“Centrão” da Alepe

Nomes mais vinculados ao “centro”, mas que também se posicionaram pela reeleição de Lula foram a delegada Gleide Ângelo (PP) e três deputados reeleitos pelo Podemos: Fabrizio Ferraz, Jeferson Timóteo e o ex-prefeito serratalhadense Luciano Duque. O Podemos tem uma bancada bem dividida: enquanto os três acima estão com Lula, o líder do partido, Gustavo Gouveia, ainda não se posicionou; mas o vereador Gilson Machado Filho, eleito deputado, e o reeleito Wanderson Florêncio, que agora se afirma “deputado do agro”, são vinculados ao bolsonarismo. Os suplentes do Podemos são Regina da Saúde, o deputado derrotado Edson Vieira e Beto Accioly, além de Mário Ricardo, o ex-prefeito de Igarassu.

O PSD da governadora Raquel Lyra elegeu nove deputados estaduais, sendo cinco reeleitos (Débora Almeida, Jarbas Filho, Joãozinho Tenório, Aglaílson Victor e Antônio Moraes) e houve quatro trocas. Encerram seus mandatos este ano Socorro Pimentel, Izaías Régis (ambos derrotados na disputa para federal), Romero Sales Filho (2º suplente) e o bolsonarista William Brígido (6º suplente). Os novos eleitos foram os ex-prefeitos Fábio Aragão (Santa Cruz do Capibaribe), Janjão (Bom Jardim), Zé de Irmã Teca (Itapissuma) e a primeira dama de Jaboatão, a bolsonarista Andréa Medeiros.

O 1º suplente do PSD é Marconi Santana, seguido de Romero Sales Filho, o influenciador Ni do Badoque. Pelo partido, foram derrotados nomes como os ex-prefeitos Raimundo Pimentel (Araripina) e Lupércio (Olinda), o vereador recifense Davi Muniz e a filha do prefeito de Paulista, Amanda Ramos.

Já o PP de Gleide Ângelo e de Eduardo da Fonte perdeu três cadeiras na Alepe, saindo de 10 para sete. Do Agreste, Claudiano Martins Filho perdeu a vaga para a sertaneja Roberta Arraes, enquanto Dannilo Godoy e Kaio Maniçoba foram reeleitos, assim como a delegada. Três bolsonaristas do PP foram reeleitos: Júnior Tércio, Adalto Santos e France Hacker, mas o núcleo de extrema-direita do PP viu serem derrotados dois nomes há muito estabelecidos na Alepe: o policial Joel da Harpa (agora 5º suplente) e o pastor Cleiton Collins (3º). Ainda na suplência ficam os deputados derrotados Claudiano Filho e Henrique Queiroz Filho.

Também no centro, o atual presidente da Alepe, Álvaro Porto (MDB), foi reeleito, acompanhado de uma das novidades da casa: o repórter policial independente Emerson Freitas (MDB), escolhido de 49,2 mil eleitores. Aos 26 anos, Freitas é nascido nas periferias da zona norte do Recife e ficou notabilizado por produzir conteúdo nas redes sociais sobre casos criminais na Região Metropolitana. Ele também se envolveu em polêmicas e foi processado pelo Ministério Público de Pernambuco (MPPE), sendo acusado de golpe após se passar por policial para obter benefícios junto a uma mulher que sofrera violência doméstica. Os suplentes do MDB são Flávio Gadêlha Filho, filho do ex-prefeito de Abreu e Lima; e Zé Queiroz, ex-prefeito de Caruaru.

Ainda no centro, o serra-talhadense Sebastião Oliveira, herdeiro político do clã encabeçado por Inocêncio Oliveira, volta a ter cargo público. Ele foi deputado federal por dois mandatos (2015-2022), sendo derrotado na tentativa de se eleger vice-governador com Marília Arraes (2022). Seu irmão Waldemar Oliveira (Avante) esta na Câmara Federal. Sua suplente é Socorrinho da Apami. Já no Republicanos, o ex-prefeito de Paulista Júnior Matuto recebeu 28,6 mil votos e foi derrotado. A vaga do partido foi conquistada pelo estreante Jobson Almeida, irmão de Josafá Almeida, prefeito de São Caetano, no Agreste. A primeira suplente é Josimara Cavalcanti, ex-prefeita de Dormentes, no Sertão.

Bolsonarismo perde dois evangélicos

Além do já mencionado PP, que elegeu três bolsonaristas entre seus sete estaduais, o núcleo duro do movimento é composto ainda pelo PL (3 eleitos), sigla do ex-presidente Jair Bolsonaro; pelo Partido Novo (1 eleito); e pelo União Brasil (1), em Pernambuco controlado pela família Coelho, de Petrolina.

Essas siglas elegeram André Ferreira (PL), atual deputado federal, agora estadual; reelegeram o coronel Alberto Feitosa (PL), Abimael Santos (PL), Renato Antunes (Novo), Antônio Coelho (UB). Ficaram na suplência desses partidos o atual deputado Nino de Enoque (PL), Raffiê Dellon (PL), Ivan Guedes (Novo) e Diogo Hoffmann (UB).

Os eleitos terão as companhias dos citados anteriormente Wanderson Florêncio (Podemos), Gilson Machado Filho (Podemos), Andréa Medeiros (PSD), Adalto Santos (PP), France Hacker (PP) e Júnior Tércio (PP).

Os partidos mais votados

Para a Alepe, os partidos mais votados foram o PSD da governadora Raquel Lyra (916 mil votos) e o PSB de João Campos (869 mil votos), cada um com nove deputados estaduais eleitos. As duas siglas ficaram entre as que receberam mais votos na legenda, quando o eleitor confirma o voto tendo digitado apenas os dois números iniciais, referentes ao partido: o PSD teve 34 mil votos de legenda e o PSB recebeu 35 mil votos do tipo. Mas o recordista neste quesito é o PT, que recebeu só para deputado estadual 101 mil votos na legenda em Pernambuco, motivados pelo desejo de votar no presidente Lula (PT).

Em seguida vem o PP de Eduardo da Fonte (666 mil), com três eleitos; o Podemos dos irmãos Gouveia (583 mil), com seis eleitos; o Partido dos Trabalhadores (581 mil), com cinco eleitos; o PL dos Ferreira (380 mil), com três estaduais eleitos; o Partido Verde (255 mil), também com três deputados; o MDB (202 mil), com dois eleitos; o Republicanos (166 mil), o Avante dos Oliveira (149 mil), o Partido Novo (121 mil) e o União Brasil da família Coelho (113 mil), cada um destes com um estadual eleito.

Não elegeram deputados o Psol (68,7 mil votos), o PDT (60,7 mil votos), o Missão (23,3 mil), a Rede Sustentabilidade (5,7 mil), o Solidariedade (3,6 mil), o PRD (2,6 mil), a Unidade Popular (1,1 mil), o PSTU (937 votos) e o Partido da Causa Operária (443 votos).

Editado por: Vinícius Sobreira

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