Literatura

Nobel premia obra ‘audaciosa’ da poetisa canadense Anne Carson

Entre seus escritos, destacam-se "Eros, o doce-amargo", "A Beleza do Marido" e "Autobiografia do Vermelho"

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A escritora canadense Anne Carson, vencedora do Prêmio Nobel de Literatura de 2026
A escritora canadense Anne Carson, vencedora do Prêmio Nobel de Literatura de 2026

A poetisa canadense Anne Carson ganhou, nesta quinta-feira (8), o Nobel de Literatura por uma obra “audaciosa” que entrelaça heróis mitológicos, autores da Antiguidade clássica e escritores românticos em narrativas modernas sobre o amor, o desejo e a morte.

A escritora, de 76 anos, foi premiada “por sua obra audaciosa e inovadora que, em um diálogo lúdico com a tradição clássica, criou novas formas para a literatura contemporânea”, declarou a Academia Sueca.

A canadense, que, segundo a Academia, estava na Islândia “ouvindo o vento” quando soube da notícia, considera uma “loucura” ter ganhado o Nobel.

“Loucos. Acho que todos estão loucos (…). Bom, já sabem, é uma loucura”, declarou Carson à emissora pública RUV.

Quase toda a sua obra literária “concentra-se na interseção entre a obsessão do filólogo pelas palavras e o desejo do poeta de encontrar novos significados”, resume a Academia Sueca.

Esta professora de história e grego antigo, que sofre de doença de Parkinson, lecionou nas renomadas universidades McGill, em Montreal, de Michigan e de Princeton.

Carson é muito conhecida nos meios literários anglo-saxões, e sua reputação ultrapassou novas fronteiras em 2020, quando conquistou o Prêmio Princesa das Astúrias de Literatura por seu universo “requintado” e “erudito”.

Entre seus escritos, destacam-se “Eros, o doce-amargo”, uma adaptação moderna da literatura clássica grega; “A Beleza do Marido”, que analisa a fundo os tormentos de uma mulher obcecada com as aventuras amorosas do esposo; e “Autobiografia do Vermelho”, um romance de ficção em verso.

“Profundo sentimento de perda”

É conhecida sobretudo por “Nox”, uma obra publicada em 2010 em memória de seu irmão Michael, que desapareceu misteriosamente antes de morrer na Dinamarca, no ano 2000, explica a Academia do Nobel.

Essa obra se desdobra como uma sanfona, consistindo em uma única folha de vários metros de comprimento.

“Nela, percebe-se um profundo sentimento de perda”, resumiu o comitê do Nobel.

Anne Carson é a primeira mulher a ter recebido, em 2001, o prestigioso prêmio britânico de poesia T.S. Eliot, e também ganhou o prêmio PEN em 2010 por suas traduções.

Nascida em Toronto, em 21 de junho de 1950, Anne Carson começou a estudar grego graças a um professor de latim que lhe ensinava a língua durante o intervalo do almoço na escola. Ela abandonou a universidade duas vezes antes de obter seu doutorado em Letras Clássicas em Toronto.

Seu nome já figurava há anos nas listas de favoritos ao prêmio.

Muitos críticos literários haviam previsto que o Nobel seria concedido a uma mulher neste ano.

A Academia Sueca, criticada durante muito tempo por privilegiar autores ocidentais e abalada por um escândalo do movimento #MeToo em 2018, renovou-se completamente, e mais da metade de seus 18 membros foram substituídos.

Desde então, uma em cada duas pessoas premiadas é mulher.

No entanto, elas continuam muito sub-representadas: dos 122 premiados, apenas 18 mulheres receberam o prêmio. Além disso, apenas uma minoria dos autores laureados escreve em línguas asiáticas ou do Oriente Médio.

A temporada do Nobel continua na sexta-feira com o aguardado prêmio da Paz.

As chances de Donald Trump ser premiado são praticamente nulas, mas o presidente americano voltará a ser assunto geral após a campanha sem precedentes que realizou em prol de sua candidatura no ano passado.

O prêmio de Economia encerrará a temporada do Nobel em 12 de outubro.

Editado por: AFP

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