Professores da Universidade de Brasília (UnB) aprovaram, em assembleia na quarta-feira (7), a proposta do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) referente à Unidade de Referência de Preços (URP). O acordo prevê que 60% da URP sejam incluídos nos aumentos dos salários a partir de abril de 2026.
A medida ainda determina o pagamento da parcela aos docentes que ingressaram na UnB até 31 de março de 2026, com valores retroativos à data de admissão. Também ficou definido que as progressões concedidas até essa data não serão afetadas, e os valores que já foram descontados serão devolvidos.
As promoções implementadas até 31 de março de 2027 também ficarão protegidas da absorção, sem prejuízo da restituição de valores descontados em meses anteriores. O acordo estabelece ainda uma parceria entre o MGI e a Advocacia-Geral da União (AGU) para atuar junto ao Tribunal de Contas da União (TCU), com o objetivo de interromper os descontos indevidos da URP de docentes aposentados.
Além do acordo, a categoria aprovou o fim do indicativo de greve e do estado de assembleia permanente. A Associação dos Docentes da UnB (Adunb) informou também que irá construir uma pauta de políticas compensatórias a ser apresentada à reitoria da universidade e ao governo federal junto aos docentes que ingressaram na UnB a partir de abril de 2026 e não recebem a URP.
Agora, a proposta será levada ao Supremo Tribunal Federal (STF), onde o caso da categoria é estudado há 20 anos.
A proposta aprovada contempla todos os professores da UnB que recebem a URP e inclui 68 aposentados que têm decisões judiciais prevendo descontos da parcela, 163 docentes que atualmente não recebem a parcela remuneratória; e entre 633 e 734 professores e professoras que poderão avançar na carreira até 31 de março de 2027.
Na reunião, a assembleia considerou a proposta apresentada pelo MGI como “insuficiente”, mas preferiu aceitá-la ao avaliar que o atual cenário político, marcado pelo avanço da extrema direita no primeiro turno das eleições, poderá trazer riscos ao que já foi conquistado pela classe até o momento.
“A decisão sobre a URP foi tomada por maioria em assembleia, esse legítimo espaço de deliberação. É um momento importante, pois se trata de uma luta histórica da categoria. Agora, a diretoria da Adunb seguirá com os procedimentos necessários para garantir o cumprimento integral do acordo. Também manteremos o diálogo com a Reitoria da UnB para que as promoções sejam efetivadas dentro do prazo previsto”, afirmou Maria Luiza Pereira, presidenta da associação.
Entenda o que é a URP
A Unidade de Referência de Preços (URP) é uma parcela paga junto ao salário de servidores da UnB após um reajuste salarial concedido na década de 1980. Desde então, o pagamento do benefício é alvo de uma disputa judicial que existe há 20 anos.
A negociação em torno da URP se arrasta desde setembro de 2025, quando professores criaram uma mesa específica para debater os desdobramentos referentes ao valor. A abertura oficial das tratativas ocorreu apenas em junho deste ano, após meses de tentativas de acordo com órgãos do governo.
Desde a primeira rodada de negociação, ocorrida em 18 de junho, os docentes têm levado quatro exigências à mesa: a inclusão dos professores que ainda não recebem a URP, com pagamento retroativo; a revisão dos descontos aplicados aos aposentados; a discussão sobre o percentual de absorção da parcela; e a não incidência dessa absorção sobre promoções, progressões e outros acréscimos permanentes da carreira.
Em abril, professores da universidade chegaram a realizar duas paralisações e manifestações após rejeitar uma proposta do MGI que determinava que a UnB aplicasse absorção de parte dos reajustes salariais sobre a URP.
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