O diretório do Partido dos Trabalhadores (PT) de Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro, e o Sindicato dos Petroleiros (Sindipetro-NF) denunciaram ameaças de bolsonaristas contra estudantes de esquerda da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf). O alvo dos ataques seriam apoiadores do presidente Lula (PT).
As mensagens estariam circulando em grupos de WhatsApp, um deles denominado “Campistas com Bolsonaro”. Um boletim de ocorrência foi registrado na 134ª DP, no centro de Campos.
Uma captura de tela mostra a ideia de um ataque a bomba no restaurante universitário nesta quinta-feira (8). “Vamos tombar os petistas no R.U”, escreveu um integrante. A data coincide com uma plenária organizada pelo grupo “Uenf com Lula” prevista para o meio-dia.
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Segundo o PT, as mensagens teriam partido de um grupo de alunos e de pessoas ligadas à extrema direita na região, em resposta à articulação dos estudantes e setores da sociedade em apoio à reeleição do presidente Lula. Um ato unificado das universidades de Campos está marcado para sexta-feira (10).
“Jair Bolsonaro já foi expulso do Exército por colocar uma bomba no quartel, tem bolsonarista que colocou bomba dentro do aeroporto em Brasília, e agora seus seguidores tentam essa prática em Campos”, disse em vídeo o advogado do PT Thiago Motta.
A deputada estadual reeleita Marina do MST (PT) tomou conhecimento das ameaças e manifestou solidariedade. A denúncia ocorre um dia após um incêndio de grandes proporções atingir um antigo prédio da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), em Recife.
“É inaceitável e repudiamos com veemência as graves ameaças de agressão e de um possível ataque com explosivos contra estudantes da Uenf. A universidade pública é um espaço de liberdade, debate e construção democrática, e não permitiremos que seja transformada em um ambiente de medo e violência política. Exigimos que a Polícia Civil e as autoridades de segurança pública tratem este caso com a máxima seriedade e celeridade”, disse.
O PT de Campos afirmou que divergências políticas não justificam ameaças, sobretudo desta gravidade. “Nenhuma tentativa de espalhar medo pode ser normalizada. Cobramos apuração rigorosa, proteção à comunidade acadêmica e responsabilização dos envolvidos, conforme os fatos forem comprovados”, afirmou.
Uma nota assinada pela reitoria, a Uenf repudia “atividades ou manifestações que atentem contra a integridade física e psicológica da coletividade, a segurança das nossas instalações e os princípios civilizatórios básicos que regem o Estado Democrático de Direito”.
Por fim, a universidade afirmou que adota as medidas para apurar os fatos e resguardar a segurança da comunidade acadêmica e frequentadores do campus.

