O 36º Cine Ceará – Festival Ibero-americano de Cinema anunciou os filmes selecionados para a Mostra Olhar do Ceará, que reúne produções realizadas no estado e integra a programação do festival, entre os dias 7 e 13 de novembro, no Cineteatro São Luiz e no Cinema do Dragão, em Fortaleza. Ao todo, foram escolhidos quatro longas-metragens e 15 curtas, entre obras de ficção, documentário e animação. Com acesso totalmente gratuito, a programação do festival conta ainda com as mostras competitivas Brasileira de Curta-metragem e Ibero-americana de Longa-metragem, além de exibições especiais, mostras sociais, debates, homenagens, cursos e outras atividades.
A curadora da Mostra Olhar do Ceará, Camilla Osório, destaca que a seleção da edição deste ano busca apresentar um panorama da produção audiovisual cearense, evidenciando a diversidade de linguagens, territórios, perspectivas e formas de fazer cinema presentes no estado. Segundo Osório, a curadoria procura reunir obras capazes de refletir as diferentes inquietações dos realizadores cearenses a cada ano, tendo como proposta contemplar produções feitas em diferentes regiões do Ceará e a partir de distintos procedimentos e formas de pensar o cinema. “Entre os longas-metragens selecionados, destaco a presença de quatro documentários, que apresentam diferentes abordagens, temas e procedimentos cinematográficos, que evidenciam a diversidade da produção audiovisual do estado”, afirma.
A Mostra Olhar do Ceará prestigia a produção local, seja de cineastas cearenses ou produtoras radicadas no estado, independentemente de onde estejam hoje. Curtas de até 25 minutos e longas com no mínimo 60 minutos, concluídos a partir de 2025, compõem um recorte essencial para entender a potência criativa que emerge do Ceará, contribuindo para o cenário audiovisual nacional e internacional.
Os filmes selecionados para o festival disputam ainda o Troféu Mucuripe, cujas tramas apostam em histórias sensíveis e atuais, contada em diversas linguagens, como a da animação, a partir de temas variados, como os que retratam questões da infância e da terceira idade, das lutas femininas, LGBTQIAPN+, religiosas e dos movimentos trabalhistas. As obras olham para o passado, pensam no presente e refletem sobre o futuro do Brasil.
Para a Mostra Olhar do Ceará foram selecionados as seguintes produções audiovisuais:
Longas-metragens documentais
- “Adulto/Homem”, de Pedro Diógenes, que se pergunta o que pode dizer o rosto de 20 atores que esperam por um teste de elenco;
- “Douvina”, de Márcio Câmara, que propõe um convite silencioso à contemplação da memória e dos rastros do presente;
- “O Cio da Terra”, de Rivelino Mourão, que une fiéis e brincantes na celebração da Festa do Pau da Bandeira;
- “Pessoal do Ceará – Lado A Lado B”, de Nirton Venâncio, que aborda a música cearense, focado no movimento Pessoal do Ceará, durante o período do golpe militar.
Curtas-metragens
- “Deu Praia”, de Amanda Pontes, ficção sobre um date na praia entre o delírio e a realidade;
- “Do Caldeirão da Santa Cruz do Deserto”, de Adeciany Castro, Weyna Macedo, Mariana Smith e Lucas Parente, documentário que retrata um movimento comunitário religioso bombardeado pela força aérea brasileira em 1937 que, hoje, é citado como exemplo de autonomia camponesa;
- “Era Vânia”, de Ticiana Augusto Lima, ficção que acompanha Vânia, uma mulher que está sozinha na sala de estar, em meio a uma rotina cotidiana; “Erô”, de Coletiva – Cinema Instantâneo, documentário sobre Erodimar, uma heroína no sertão.
- “Janaína e a Concha”, de Malu Meneses, animação sobre uma sereia que se casa com um pescador e vive como humana na solidão de boa esposa, até que a morte de seus filhos mais velhos mudam o curso de seu destino;
- “Kaira e o temporal”, de Wagner Nogueira Mendes, ficção que traz a jovem Kaira como símbolo de esperança para enfrentar a Máquina-Metrópole Cronos e reacender as memórias perdidas de um povo;
- “Marimbã está acontecendo”, de Maryn Marynho, animação sobre como as pessoas trans se imaginam no futuro.
- “Pirexia”, de Nico da Costa, ficção sobre o rockstar Baby, que fica impossibilitado de criar músicas novas, até que ele decide compor com seu ex-companheiro musical uma nova melodia de cura e ressurreição;
- “Plano secreto de Ali”, de Lux Faria Silva, uma animação centrada em Ali, uma criança sonhadora que embarca em uma aventura com um calango para devolver todas as estrelas para o céu;
- “Quase à meia-voz”, de Maria Tamires e Victor Emanuel Borges, ficção que acompanha duas mulheres na terceira idade que exploram o desejo e a paixão de forma livre;
- “Rua 16”, de Ryan Lopes, ficção sobre moradores que decidem instalar placas solares para evitar apagões, mas divergências colocam em xeque essa reunião.
- “Sinal”, de Barbara Matias Kariri, ficção sobre o agricultor João, que faz parte de um grupo de Penitentes e foge de sua comunidade levando uma pedra;
- “Stênio”, de Yan Tavares, documentário sobre o xilogravurista Stênio Diniz, cujo fazer artístico mantém viva a cultura popular;
- “Umbuzeiro”, de Emílio Ribeiro, ficção que acompanha uma mulher marcada pela violência, cuja dor inspira seu filho a escrever um livro revelando sofrimentos e reviravoltas que dão um novo significado à história;
- “Vejo você de repente”, de Aída da Costa, documentário em que a filha do artista plástico Da Costa recorre a poucas pistas para revisitar o fantasma do pai.
Um dos destaques apontados pela curadora da mostra é “Adulto Homem”, de Pedro de Ógenes. O filme, que tem circulado por festivais e recebido atenção no circuito audiovisual, chama a atenção, segundo Camilla, pela originalidade de seus procedimentos e pela forma particular de construção cinematográfica. Na seleção de curtas-metragens, a curadora também ressalta a diversidade de linguagens, e destaca que esse ano, houve um crescimento expressivo da presença de animações, movimento que, na avaliação da curadora, está relacionado ao fortalecimento das políticas públicas de formação audiovisual no Ceará. “Temos mais cursos de formação gratuitos no estado e vemos o reflexo disso na quantidade de animações que são produzidas e, consequentemente, selecionadas”, explica.
Mostras Brasileira de Curta-metragem e Ibero-americana de Longa-metragem
Se por um lado a Mostra Brasileira de Curta-metragem valoriza a produção nacional, com filmes de até 25 minutos, finalizados a partir de 2025, que ainda não participaram de seleções anteriores do Cine Ceará, revelando novas vozes e perspectivas do audiovisual brasileiro, fortalecendo a diversidade e a inovação que marcam a cinematografia brasileira.
Por outro, a Mostra Ibero-americana de Longa-metragem é destinada a filmes de países da América Latina, Caribe, Portugal e Espanha, abrangendo os gêneros de animação, ficção, documentário ou linguagens híbridas. Com obras concluídas a partir de 2025 e duração mínima de 60 minutos, destaca a riqueza narrativa e técnica de uma região que se reinventa constantemente no cenário cinematográfico mundial.
Na Mostra Competitiva Brasileira de Curta-metragem, o Troféu Mucuripe será concedido aos vencedores nas seguintes categorias: Melhor Curta-metragem, Direção, Roteiro e Prêmio da Crítica. Enquanto na Mostra Competitiva Ibero-americana de Longa-metragem, serão agraciados com o Troféu Mucuripe os vencedores nas categorias: Melhor Longa-metragem, Direção, Atuação Principal, Atuação Coadjuvante, Roteiro, Fotografia, Montagem, Trilha Sonora Original, Som, Direção de Arte e Prêmio da Crítica.
Para Osório, a seleção de curtas deste ano apresenta um número equilibrado entre ficções, documentários e animações, refletindo a variedade de formatos e linguagens presentes na produção cearense. Entre as temáticas que ganharam destaque, Osório aponta a presença de filmes que abordam o desejo, a pulsão de vida e a possibilidade de imaginar futuros para corpos LGBTQIAPN+. Ela cita como exemplos “Marimban está acontecendo”, uma animação, e “Quase Meia Voz”, curta de ficção, e destaca que a presença dessa temática na seleção expressa uma inquietação presente entre realizadores cearenses sobre as formas de representação desses corpos no cinema.
Cine Ceará – Festival Ibero-americano de Cinema
Criado em 1991 a partir do desejo de descentralizar o circuito audiovisual brasileiro, o Cine Ceará firmou-se como uma das principais janelas do cinema produzido na Ibero-América, exibindo, ao longo de três décadas, obras de mais de 30 países e revelando gerações inteiras de cineastas.
O 36º Cine Ceará é uma realização do Ministério da Cultura, por meio da Secretaria do Audiovisual e da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB); da Associação Cultural Cine Ceará; e da Bucanero Filmes. Tem o apoio institucional do Governo do Ceará, por meio da Secretaria da Cultura, via Mecenas do Ceará e Edital de Festivais Culturais Calendarizados (PNAB); e da Universidade Federal do Ceará, via Casa Amarela Eusélio Oliveira. Conta ainda com patrocínio do Banco do Nordeste, Complexo Portuário do Pecém, da Cegás, da Etice e da Nacional Gás, através da Lei Rouanet. Tem o apoio cultural da Enel através do Mecenato Estadual. Parceria: Canal Brasil.
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