mais do mesmo

Apesar do discurso de mudança, Douglas Ruas é continuidade de governo Castro no RJ, avalia especialista

Paulo Loiola avalia que PL foi hábil em conseguir separar figura do Ruas do ex-governador Claudio Castro

No audio source provided.

Candidato pelo PL, Douglas Ruas é filho do prefeito de São Gonçalo, Capitão Nelson (PL)
Candidato pelo PL, Douglas Ruas é filho do prefeito de São Gonçalo, Capitão Nelson (PL) | Crédito: Reprodução/Youtube/G1

Uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), desta quinta-feira (8), abre caminho para que o deputado estadual Douglas Ruas (PL) seja reconhecido eleito como novo governador do estado do Rio de Janeiro. Eduardo Paes (PSD) ficou em segundo lugar e já reconheceu a derrota. A situação decorre da anulação dos votos recebidos por Anthony Garotinho (Republicanos), que concorreu sub judice, devido a uma condenação de improbidade administrativa.

O TSE decidiu invalidar a candidatura de Garotinho, beneficiando Ruas, que, apesar do discurso de ser um quadro novo na política fluminense, atualmente tem mandato da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) e foi secretário do ex-governador Claudio Castro (PL).

Ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, Paulo Loiola, estrategista político e fundador da BaseLab, explica que Ruas também foi policial e se apropria do discurso de que seria capaz de resolver os problemas da segurança pública.

“[O estado do RJ] já era governado pelo PL [com Claudio Castro], continua com o mesmo partido. Eles foram muito hábeis no processo de descolamento de uma figura da outra. Apesar disso, o que a gente verá é um processo de continuidade do governo que vinha até então”, pontua.

O RJ tem um histórico de eleger governadores que depois acabaram presos. Douglas Ruas está sendo, neste momento, investigado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) por crimes como peculato, lavagem de dinheiro, crimes licitatórios, organização criminosa, conflito de interesses e enriquecimento ilícito.

“Um conjunto de problemas que se apresentaram no Rio de Janeiro ao longo dos últimos anos e, muito possivelmente, seguirão ocorrendo. Por exemplo, ele é filho do prefeito de São Gonçalo, o segundo município que mais tem tiroteio no Rio de Janeiro”, aponta.

Loiola destaca a trajetória e raízes políticas de Ruas e reforça que há evidências suficientes para apostar em um governo de continuidade. “A gente tem um conjunto de elementos que nos permitem falar, com algum nível de tranquilidade, que é um governo de continuidade. A base legislativa segue muito parecida, inclusive, segue mais à direita. Vai ser um governo com mais liberdade para trabalhar ali na Alerj do que vinha trabalhando. E consolida uma vitória da direita no Rio de Janeiro bastante significativa”, afirma.

O pesquisador avalia que a escolha no Rio de Janeiro reflete também a escolha do Brasil, já que a extrema direita terminou o primeiro turno vitoriosa. Ele atribui isso a um cansaço generalizado da população. “Foi uma campanha de frustração, foi uma campanha de decepção com a política, com alguns elementos de reta final que de fato mobilizaram o público em pautas que a direita vinha se posicionando há muito tempo”, pontua.

Na avaliação dele, estamos vivendo o resultado de uma construção dos últimos dez anos, que acabou consolidando algumas pautas de apelo popular que são da direita, apoiadas pela mídia comercial de forma geral.

“É uma série de opiniões públicas brasileiras que giraram em direção ao conservadorismo. A gente pode falar da redução da maioridade penal e da proibição do aborto, por exemplo. Esse é um movimento continental, pós-vitória de Trump, e o que a gente teve na América Latina foi uma série de vitórias de governos de direita. E essa vitória não é construída em 45 dias”, ressalta.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Rodrigo Gomes

|

Newsletter