misoginia

Caso Ana Elisa tem ‘todos os elementos da violência política de gênero’ com agravante do racismo, afirma pesquisadora

Gisele Barbieri afirma que essa violência direcionada afasta as mulheres ainda mais da política

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© anaelisast/ Instagram
Ana Elisa deputada federal eleita por Minas Gerais | Crédito: © anaelisast/ Instagram

As mulheres representam 34,85% das candidaturas e são quase 60% das vítimas de violência política nos 50 dias de campanha do primeiro turno das eleições, segundo a 4ª edição da pesquisa Violência Política e Eleitoral no Brasil, realizada pelas organizações Terra de Direitos e Justiça Global. Entre os 102 casos de violência dirigidos a candidatos no período, 60 tiveram mulheres cisgênero, trans e travestis como vítimas. Os ataques ficaram marcados por misoginia, racismo e transfobia e são mais recorrentes no ambiente virtual.

Um dos casos emblemáticos foi o da recém-eleita deputada federal Ana Elisa (PT-MG), uma mulher negra de apenas 21 anos, que, nesta quinta-feira (8), veio a público denunciar as ameaças de morte e violência sexual que vem recebendo. Além disso, ela conta que dados pessoais como o endereço residencial, número de telefone e documentos foram expostos. A futura parlamentar formalizou a denúncia na Polícia Civil.

Ao jornal É de Manhã, da Rádio Brasil de Fato, Gisele Barbieri, coordenadora de incidência da Terra de Direitos, avalia que os dados demonstram que o sistema democrático vem criando barreiras e impedindo que mulheres avancem na política. “É um dado muito preocupante, porque essa violência é uma violência desproporcional. Quando a gente vai para as candidatas eleitas, a gente não chega a 20% nas casas legislativas de todo o país, mas, ao mesmo tempo, essa violência é uma violência cotidiana”, afirma.

Barbieri comenta o episódio mais recente envolvendo Ana Elisa e aponta que o caso “tem todos os elementos da violência política de gênero com o agravante do racismo”. “Quando essa violência se dá contra mulheres negras, ela é uma violência muito mais perversa. É uma violência que acompanha essas mulheres na disputa política dentro do cenário eleitoral e depois vai acompanhar essas mulheres no cotidiano do exercício dos seus direitos políticos também”, analisa.

 A pesquisadora destaca como o ambiente virtual acaba por contribuir com o aumento desses casos, sobretudo pela sensação de impunidade. “Há muito tempo a gente tem trazido como recomendação também nas nossas pesquisas essa necessidade de ter um limite no que se pode ou não se pode publicar em termos de conteúdo, principalmente quando você está falando de violência política, porque esses agressores no ambiente virtual conseguem ficar no anonimato”, aponta.

Gisele Barbieri também destaca a capacidade de ação coordenada no sentido de “distribuir a violência em série” e usa como exemplo uma situação ocorrida durante o período pré-eleitoral com parlamentares mulheres da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). “24 deputadas receberam no mesmo dia um e-mail com ameaças de morte, com ameaças de estupro. Esse terreno da internet, enquanto a gente não tem uma regulação, é muito fácil para esse tipo de violência”, avalia.

Para ouvir e assistir

O É de Manhã vai ao ar de segunda a sexta-feira às 07h da manhã na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Gia Matheus Almeida

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