Nessa quinta-feira (8), 30 mil pessoas saíram às ruas em apoio à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em uma mobilização unificada de estudantes universitários e secundaristas. A manifestação se concentrou na Praça Santos Andrade, em Curitiba (PR), em frente ao Prédio Histórico da Universidade Federal do Paraná (UFPR), e passou pelas principais ruas do centro.
Larissa Freitas foi ao protesto para continuar estudando, conta. “Por aqueles que não puderam vir, por aqueles que morreram na pandemia também”, explica. A mãe dela só pôde estudar pelas políticas públicas do governo Lula: “Seria uma hipocrisia a gente votar no Flávio Bolsonaro [PL] quando todas as políticas para a classe trabalhadora pertencem ao governo Lula. Não é um dos melhores governos, mas é o que está nos fortalecendo, está do nosso lado”.
“Eu quero poder existir nessa faculdade”, conta Larissa, que é mulher negra, estudante de Direito na UFPR.

Para João Guilherme, arquiteto formado pela UTFPR, a manifestação é em defesa da democracia contra a invasão norte-americana no Brasil. “Flávio vai transformar nosso país numa grande fazenda para os Estados Unidos; ele é contra a educação, ele é contra a tecnologia, contra as mulheres, ao povo brasileiro. Eu não estaria aqui se não fosse pelo presidente Lula, que inaugurou a UTFPR”.
O protesto foi organizado pelos Diretórios Centrais dos Estudantes (DCEs) da UFPR e da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), pela União Paranaense dos Estudantes (UPE), a União Paranaense dos Estudantes Secundaristas (UPES), a União Nacional dos Estudantes (UNE) e a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES).
“Eu tô muito orgulhosa de eu tomar coragem de estar aqui, porque, querendo ou não, é um ato de coragem”, conta Kauane Lopes Gonçalves, estudante de Análise de Desenvolvimento de Sistemas na UFPR.
Estudantes e trabalhadores contra a extrema-direita
Fora a pauta estudantil, milhares de pessoas foram ao ato com outras bandeiras. Era possível identificar, entre a multidão, camisetas de sindicatos e de movimentos por moradia e terra do Paraná.
Além dos movimentos organizados, milhares de apoiadores se somaram ao esforço para virar a eleição em favor de Lula. Keyzze Alves de Lima Oliveira Rocha, professora de ciências e biologia da rede estadual de ensino, conta que acredita que o Brasil vai continuar soberano. “Eu acredito em um Brasil melhor para minhas filhas, um Brasil livre”, argumenta.
“Eu votei no Lula assim que tirei meu título, aos 16 anos. Eu já ia para as passeatas com meus pais, já fui filiada ao PT em Sergipe, depois fui para a Bahia, morei 12 anos na Bahia e continuei na luta a favor dos direitos, dos direitos dos mais pobres, daqueles que mais precisam”, lembra.

A professora, que é nordestina e viveu muitos anos no Sergipe e na Bahia, argumenta que as pessoas não enxergavam o Nordeste antes de Lula. “Ele tirou milhares da fome. A galera só vê o Nordeste depois do que ele fez, não vê o que era o Nordeste antes. Não enxerga que o povo comia café com farinha, que passava fome. Depois que o Lula chegou, ele levou água, levou dignidade para o povo”, argumenta.
“As pessoas não lembram também como era antes. Não lembram como era difícil ingressar na universidade pública, principalmente quem vem da classe trabalhadora, os mais humildes. Eu estou com Lula e ficarei com Lula até o fim. E minhas filhas também, por um país mais justo”, conclui, emocionada.

Movimento nacional contra extrema-direita
Estudantes em várias cidades do país organizaram, nessa semana, assembleias para articular a campanha do segundo turno e atos para protestar contra o avanço da extrema-direita. Nesta quarta-feira (7), uma manifestação estudantil no Rio de Janeiro (RJ) reuniu milhares de pessoas pela reeleição de Lula. A manifestação na capital paranaense foi uma das maiores do país.
No domingo (4), Flávio Bolsonaro (PL) obteve 47,03% dos votos contra 45,16% de Lula. A diferença de 2,2 milhões de votos provocou uma campanha nacional para a virada. Aliados à mobilização da juventude estão movimentos populares por terra e moradia, sindicatos, organizações sociais, grupos religiosos, artistas, entre outros. Também se aliam apoiadores que não são ligados a nenhum coletivo político, mas apoiam a eleição de Lula frente às ameaças de mudanças legais e riscos de retrocessos nos direitos.
Possível censura das redes sociais
Na terça-feira (6), os perfis dos Diretórios Centrais dos Estudantes (DCEs) da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) foram suspensos no Instagram. As entidades convocavam os alunos a assembleias e para atos de rua, quando foram derrubadas sem explicação. Depois o perfil da União Paranaense dos Estudantes (UPE) também foi derrubado.
A articulação passou a ganhar força na divulgação boca a boca, nos campi universitários e nas escolas, e também por outros meios – no Whatsapp e em outros canais progressistas nas redes, que não saíram do ar.



