segundo turno

Emendas parlamentares orientam Centrão à debandada na direção de Flávio Bolsonaro, afirma historiadora

Joana Borges aponta, contudo, que transferência de votos não é algo a ser dado como certo e disputa está aberta

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Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL)
Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) | Crédito: Daniel Ramalho / AFP e Jefferson Rudy/ Agência Senado

O senador Flávio Bolsonaro (PL) aparece com 52,8% das intenções de votos válidos no segundo turno e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 47,2%, segundo pesquisa da AtlasIntel/Bloomberg, divulgada nesta sexta-feira (9). A maioria das pesquisas mostra vantagem de Flávio, mas diferem na distância entre os candidatos.

Segundo o levantamento do Datafolha, Flávio tem 49% e Lula 45%, um cenário de empate técnico. O PoderData mostra Flávio com 53% e Lula com 47%. Já o Vox Populi aponta Lula com 44,2% e Flávio com 42,7%.

Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, a historiadora e psicanalista Joana Borges, mestre em sociologia e membro da direção nacional do movimento Brasil Popular, alerta que a pesquisa da Atlas/Bloomberg foi a única das recentemente divulgadas que iniciou sua coleta de informações um dia antes do primeiro turno e, portanto, pode sofrer algum impacto desse cenário anterior. Contudo, ela pondera que os dados podem, sim, estar apontando para a movimentação do eleitorado, em especial, dos candidatos derrotados, após as recentes declarações de apoio. Dos presidenciáveis mais conhecidos, apenas Renan Santos (Missão) manteve neutralidade, embora esteja dialogando bastante com o eleitorado petista e se dedicando a criticar Flávio.

Ainda assim, ela alerta que a transferência direta não é algo que pode ser dado como certo. “Apenas metade dos eleitores que votaram em outros candidatos no primeiro turno já decidiram em quem vão votar no segundo turno. Então, esse não seria um elemento definidor”, aponta.

Para a historiadora, a movimentação dos partidos do Centrão na direção de Flávio é bastante previsível. “É uma turma que é muito conhecida por ter uma intencionalidade muito direta com a mobilização das emendas parlamentares no Congresso Nacional. Embora seja uma prática que já esteja estabelecida, obviamente eles têm muita intenção em apoiar o Flávio agora no segundo turno, visto que, além de ele estar em primeiro lugar, pode ser um governo que abra ainda mais margens para esse tipo de prática”, pondera.

Borges ressalta que haverá disputa desse eleitorado e avalia, com mais detalhes, os movimentos dos candidatos derrotados. Na avaliação da historiadora, Augusto Cury (Avante), que declarou apoio a Flávio, é um “candidato de primeira viagem”, sem lastro político. “Possivelmente a transferência de voto do Augusto Cury para o Flávio, embora seja uma sinalização importante, não necessariamente vai ter muito impacto”, pontua.

Com relação à figura de Renan Santos, a socióloga aponta como um “antagonista de Flávio”, capaz de furar a bolha. “Nas redes, a gente está vendo uma movimentação um tanto interessante da tentativa das pessoas, de muitos influenciadores, de muitos analistas, de aproximarem algumas das propostas do Renan para tentar intencionar o voto no Lula agora no segundo turno”, avalia.

Joana Borges considera que Flávio tem investido em aumentar seu apoio político, reforçando algumas pautas que já têm adesão, não apenas do bolsonarismo, mas de uma parcela significativa da sociedade, como a redução da maioridade penal e da reforma do Judiciário, impulsionada pela crise institucional pela qual vem passando o Supremo Tribunal Federal (STF).

Já a campanha de Lula, observa a historiadora, também teve uma mudança bastante perceptível na estratégia. “Um Lula que fala diretamente com o eleitor indeciso e um Lula que fala também diretamente com o seu opositor, cobrando posicionamentos sobre temas importantes, como o da escala 6×1, que mexe diretamente com a maior parte da população brasileira hoje. A campanha de Lula tem um elemento que a de Flávio não tem, que é a mobilização de rua. Acredito que devam crescer na próxima semana os atos que são segmentados, juventude, trabalhadores, mulheres, mas, em geral, a gente está vendo uma grande posição das pessoas nas ruas”, reforça.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Gia Matheus Almeida

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