Tirania

ONU rechaça sanções de Trump contra TPI após juíza sul-africana ganhar Nobel da Paz

Navi Pillay integrou corte e chefiou comissão da ONU que acusou Israel de genocídio na Faixa de Gaza

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Donald Trump durante discurso na Assembleia Geral da ONU, nesta terça-feira (22).
Donald Trump durante discurso na Assembleia Geral da ONU, nesta terça-feira (22) | Crédito: Brendan Smialowski/Pool/AFP

O alto comissário da Organização das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, chamou de “inaceitáveis” as sanções impostas pelo governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra o Tribunal Penal Internacional (TPI) nesta sexta-feira (9), em represália à premiação da ex-juíza da instituição Navi Pillay com o Nobel da Paz.

“Estas sanções, as mais recentes de uma série de medidas de retaliação contra o TPI e sua equipe pelo trabalho que realizam diariamente para promover a responsabilização pelas violações mais graves dos direitos humanos, são inaceitáveis”, afirmou Türk.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, também criticou a medida e disse estar “profundamente alarmado” com as consequências que pode haver. “A decisão de hoje representa um duro golpe para nossa busca coletiva por justiça penal internacional, da qual o TPI é um pilar fundamental”, declarou o porta-voz do secretário-geral, Stephane Dujarric.

Na divulgação das sanções, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, reiterou que os EUA vão continuar com a campanha para “desmantelar o TPI tijolo por tijolo, até que os americanos deixem de se sentir ameaçados”.

Segundo Rubio, o governo dos EUA não vai aceitar que o TPI possa processar cidadãos estadunidenses, militares da ativa ou líderes políticos. E pretendem sufocar a entidade financeiramente.

“Proibiremos as transações com esse tribunal ilegítimo, cortando seus recursos e paralisando sua capacidade de agir contra nós, militares que defendem o país, agentes da Patrulha de Fronteira que protegem nossa nação e líderes eleitos que garantem nossa segurança nacional”, afirmou Rubio.

Trump tem reiteradamente atacado o TPI devido à investigação do tribunal sobre as ações de militares dos Estados Unidos no Afeganistão, além da decisão de emitir um mandado de prisão contra o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, pelo genocídio contra os palestinos.

Premiada

O Comitê Norueguês do Nobel anunciou, nesta sexta-feira (9), em Oslo, a jurista sul-africana Navanethem “Navi” Pillay, de 85 anos, como vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2026.

A escolha reconhece mais de cinco décadas de atuação de Pillay na defesa do direito internacional e na responsabilização por crimes contra a humanidade, com destaque recente para a presidência de comissão das Nações Unidas que concluiu que Israel cometeu genocídio na Faixa de Gaza.
Pillay é a 21ª mulher laureada com o Nobel da Paz entre 144 vencedores na história da premiação. Ela receberá uma medalha e uma dotação de 12 milhões de coroas suecas (cerca de R$ 6 milhões). A cerimônia oficial de entrega está marcada para 10 de dezembro, na capital norueguesa.

Editado por: Rodrigo Gomes

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