O Sindicato dos Professores no Distrito Federal (Sinpro-DF) denunciou uma ordem do governo Celina Leão (PP) para a retirada de cartazes sobre o caso Banco BRB-Master das escolas públicas. A medida é objeto de um memorando da Secretaria de Educação do DF (SEEDF) que orienta as equipes gestoras a localizar o material e impedir novas afixações.
Segundo Márcia Gilda, diretora do Sinpro-DF, a orientação também estabelece o acompanhamento da circulação do material nas unidades. Os cartazes estavam fixados nos murais do sindicato desde o primeiro semestre. Para o sindicato, a orientação é eleitoreira, pois atinge a liberdade de expressão e a autonomia das comunidades escolares sobre um tema de interesse público.
“O memorando orienta a retirar os cartazes, a não permitir a fixação de novos materiais e a comunicar à Regional de Ensino quais cartazes foram retirados das escolas. Também determina que seja observada a circulação desse material dentro das unidades escolares”, diz Gilda.
O material apresenta imagens de parlamentares e de autoridades do Distrito Federal que, na avaliação do sindicato, têm responsabilidade política pelas decisões relacionadas à crise do Banco de Brasília (BRB) e ao Banco Master. Márcia Gilda afirma que a intenção era informar a comunidade escolar sobre as decisões que colocaram em risco o patrimônio público, e não fazer campanha eleitoral.
“Esse cartaz não é uma campanha política, é uma campanha de esclarecimento”, afirma a diretora. Ela argumenta que o material não pedia votos nem orientava a comunidade a escolher ou rejeitar candidatos, mas apresentava nomes e decisões políticas para que professores e demais integrantes das escolas pudessem formar sua própria avaliação.
A controvérsia começou com uma representação apresentada ao Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF) pelo deputado distrital Marcos Martins Machado (Republicanos) e pelo diretório regional do partido. O objetivo, segundo a nota do sindicato, era obter a retirada dos cartazes durante o período eleitoral. O Sinpro sustenta que as orientações posteriores da Secretaria extrapolam a decisão judicial.
O cartaz expõe deputados distritais que aprovaram a compra do Banco Master pelo BRB, em agosto de 2025, durante o governo Ibaneis Rocha (MDB) e Celina Leão. A negociação foi barrada pelo Banco Central um mês depois. Onze parlamentares favoráveis à compra foram reeleitos para a Câmara Legislativa em 2027.
Cartazes expõem caso Master-BRB
A crise financeira envolvendo o BRB e o Banco Master é objeto de debate no Distrito Federal pelos possíveis efeitos sobre as contas públicas. Em junho, o Brasil de Fato DF mostrou que representantes sindicais e parlamentares alertavam para os impactos de um acordo de socorro financeiro ao banco. Na ocasião, o deputado distrital Gabriel Magno (PT) estimou que o pagamento do empréstimo poderia retirar R$ 1 bilhão por ano do orçamento do DF. A cifra era uma estimativa apresentada pelo parlamentar, não a confirmação de um corte específico na educação.
É nesse cenário que o Sinpro relaciona a circulação dos cartazes ao direito da comunidade escolar de discutir decisões do poder público. Márcia afirma que os possíveis custos da crise podem repercutir tanto na estrutura das escolas quanto na valorização dos profissionais da educação.
“O rombo causado por esse escândalo pode ter reflexos diretos nas escolas, tanto na infraestrutura e nos materiais quanto na valorização dos professores e das professoras e dos orientadores e orientadoras educacionais. Afinal, ficará um empréstimo para o povo pagar, e sabemos que isso impacta diretamente os serviços essenciais”, declarou a diretora.
Sindicato anuncia medidas
O Sinpro publicou uma nota de repúdio para contestar a orientação da Secretaria. A organização também anunciou que adotará medidas políticas e jurídicas.
“Diante dessa prática típica de governos ditatoriais, que buscam esconder do povo todo tipo de corrupção com os recursos públicos para benefício próprio, a diretoria colegiada do Sinpro denuncia o uso da máquina pública para produzir um clima de medo e vigilância dentro das escolas”, diz um trecho.
A diretoria colegiada do sindicato considera especialmente grave a utilização da estrutura da Secretaria “para controlar a circulação de um material sindical e monitorar sua presença nas escolas, em vez de fortalecer a gestão democrática, o pensamento crítico, a pluralidade e o acesso a informações de interesse público”.
O sindicato defende que a comunidade escolar possa discutir assuntos de interesse público, inclusive decisões políticas e financeiras que possam afetar os serviços públicos oferecidos à população.
O Brasil de Fato DF solicitou posicionamento à Secretaria de Educação sobre o fundamento jurídico do Memorando Circular nº 64/2026, a exigência de comunicação das unidades fiscalizadas e as críticas do sindicato. A reportagem não teve retorno até o fechamento, mas o texto poderá ser atualizado.
Apoie a comunicação popular no DF:
Faça uma contribuição via Pix e ajude a manter o jornalismo regional independente. Doe para [email protected]
Faça uma sugestão de reportagem sobre o Distrito Federal, por meio do número de WhatsApp do BdF DF: 61 98304-0102
Siga nosso perfil no Instagram e fique por dentro das notícias da região.
Entre em nosso canal no WhatsApp e acompanhe as atualizações


