A mobilização de estudantes em universidades para ampliar o apoio à candidatura do presidente Lula (PT) no segundo turno ocorre em meio a relatos de ameaças contra comunidades acadêmicas. A Universidade Federal de Goiás (UFG) acionou forças de segurança após receber capturas de mensagens com possíveis ameaças a estudantes. A instituição solicitou a apuração do conteúdo para verificar se há risco concreto de ataques.
Em ofícios enviados nesta sexta-feira (9) à Polícia Federal (PF), à Polícia Militar de Goiás (PMGO) e à Polícia Civil, a vice-reitora Camila Cardoso Caixeta, no exercício da Reitoria, comunicou a circulação das mensagens e solicitou providências preventivas. Segundo os documentos, a universidade tomou conhecimento do material por meio de conversas compartilhadas em grupos de WhatsApp.
A UFG, no entanto, ressalva que não conseguiu confirmar a autoria, a autenticidade ou o alcance das mensagens, nem determinar se há intenção real de executar as ameaças. Por isso, solicitou que as autoridades avaliem a existência de planejamento e de risco concreto, examinem os conteúdos que circulam em ambientes digitais e indiquem medidas de prevenção. A universidade também solicitou um canal de comunicação rápido caso seja identificado risco iminente.
O acionamento ocorre em um momento de intensificação da disputa política nas universidades. Desde o início da semana, organizações estudantis convocam assembleias, plenárias e manifestações em diferentes regiões do país para mobilizar eleitores a favor do voto em Lula para barrar o avanço da extrema direita representada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), adversário do presidente no segundo turno.
Ameaças
O deputado estadual eleito Fabrício Rosa (PT), doutor em Direitos Humanos pela UFG, afirmou à reportagem que tem recebido mensagens com ameaças em suas redes sociais e que influenciadores digitais têm atuado na incitação à violência contra estudantes ligados à oposição. Segundo ele, seu gabinete também enviou ofícios à PMGO, à Polícia Civil e à PF relatando os casos.
Capturas de tela que o Brasil de Fato DF teve acesso mostram mensagens trocadas em grupos de WhatsApp. Em uma delas, um participante reage à divulgação do ato estudantil marcado para domingo (11), perguntando se o ato era “a favor de Lula” e pedindo para ser avisado para levar “uns molotov caseiro”. Em um áudio transcrito, um homem convoca integrantes de um grupo “da turma da direita” da universidade a ir à praça para “fazer barulho” no que chama de “encontro dos petralhas”.
Fabrício relatou ainda que um ato de estudantes em Jataí, no sudoeste goiano, realizado na quinta-feira (8), também foi alvo de ameaças de alunos de extrema direita que pretendiam “causar confusão” no local. De acordo com o deputado, a manifestação ocorreu sem registro de violência.
O DCE da UFG relata ter recebido denúncias de estudantes ameaçados em grupos de WhatsApp criados para a campanha de Lula. Segundo a entidade, esses grupos foram invadidos por “bolsonaristas e neonazistas”, que prometiam entrar nas assembleias estudantis para gravar e agredir apoiadores do presidente e integrantes do movimento estudantil. O DCE afirma que também houve tentativas de invasão no grupo organizado por ele, algumas feitas por pessoas que diziam ser de Minas Gerais, e que colocou advogados à disposição dos estudantes ameaçados.
Na quinta-feira (8), estudantes do campus Samambaia da UFG aprovaram por unanimidade uma carta de apoio ao Lula e ao combate do fascismo na instituição.

Forças de segurança recebem solicitações
A Polícia Militar de Goiás confirmou o recebimento do ofício da UFG e informou que o documento foi inserido no sistema da corporação. A Polícia Federal também confirmou que registrou o protocolo em um documento no Sistema Eletrônico de Informações (SEI), com encaminhamento à Diretoria-Executiva Regional da Superintendência Regional em Goiás.
Os registros anexados ao processo não apresentam confirmação sobre a autenticidade das mensagens nem identificam possíveis responsáveis. A Polícia Civil também foi acionada pela Reitoria, mas os documentos disponíveis não informam quais providências foram adotadas pela corporação.
A UFG afirma que o objetivo das solicitações é preservar a integridade física da comunidade universitária e o patrimônio público federal. A universidade se colocou à disposição para encaminhar os materiais originais e prestar informações adicionais às equipes responsáveis.
Incêndio na UFPE amplia preocupação
Nos ofícios enviados às autoridades, a UFG também menciona o incêndio de grandes proporções que atingiu, na noite de quarta-feira (7), um prédio da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), no Recife. O local abrigava laboratórios ligados a áreas como fármacos, informática e genética. A Reitoria cita o episódio como um fator que ampliou a preocupação com a segurança da comunidade universitária, mas os documentos não estabelecem relação entre o incêndio e as mensagens recebidas em Goiás.
Em nota divulgada na quinta-feira (8), a UFG manifestou solidariedade à comunidade acadêmica da UFPE e lamentou os prejuízos ao ensino, à pesquisa e à inovação. A instituição defendeu que as causas do incêndio sejam devidamente apuradas. A investigação sobre o episódio em Pernambuco segue separada da apuração das ameaças relatadas por outras universidades.
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