Oriente Médio

Combates no Iêmen deixam 63 mortos e Arábia Saudita intensifica bombardeios

Ansar Allah repele ofensiva terrestre na costa; ataques atingem aeroporto de Sanaa e geram alerta em Riade

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Combatentes houthis na província de Taiz, no Iêmen
Combatentes houthis na província de Taiz, no Iêmen | Crédito: Centro de Mídia Ansarullah/via AFP

Confrontos armados entre forças alinhadas à coalizão liderada pela Arábia Saudita e combatentes do movimento Ansar Allah, também chamados de houthis, deixaram ao menos 63 mortos nas últimas 24 horas no oeste do Iêmen.

Apesar do anúncio de uma operação terrestre pró-governo para tentar recuperar posições ao longo da costa e no entorno do estreito de Bab al-Mandab, o movimento iemenita repeliu a incursão e manteve o controle militar da estratégica ilha de Mayyun neste sábado (10).

Fontes militares de ambos os lados confirmaram à agência internacional de notícias AFP o registro de 35 baixas entre as tropas governamentais e 28 combatentes de Ansar Allah mortos no último dia.

Desde o início da semana, os confrontos armados na região já somam cerca de 500 mortes. A retomada das hostilidades em julho, após quatro anos de trégua relativa, já provocou o deslocamento forçado de mais de 200 mil pessoas, segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU).

Em declaração à AFP, o integrante do bureau político de Ansar Allah, Hizam al-Asad, informou que as forças pró-sauditas tentaram avançar a partir de Ras al-Ara, na província de Lahj, em direção ao sul de Bab al-Mandab, mas foram contidas fora da área do estreito.

“Nossas forças mantêm o controle de Bab al-Mandab, da ilha de Mayyun e das demais áreas ao longo do litoral oeste do país”, afirmou al-Asad. O dirigente disse que “o inimigo saudita assume toda a responsabilidade pelas repercussões de sua escalada em Bab al-Mandab no que diz respeito à segurança da navegação internacional”.

Fontes militares do próprio governo iemenita reconhecido internacionalmente admitiram que a ilha de Mayyun, situada no centro da rota marítima, permaneceu sob controle de Ansar Allah.

Ofensiva aérea

Diante da contenção em terra, a coalizão militar liderada pela Arábia Saudita anunciou uma ofensiva aérea de grande escala contra posições no Iêmen. O porta-voz da aliança saudita, Turki al-Maliki, declarou nas redes sociais que 136 alvos militares foram atacados com o objetivo de desmantelar a rede de mísseis balísticos do movimento e fornecer apoio aéreo contínuo às tropas governamentais.

A emissora iemenita Al-Masirah relatou disparos de mísseis e bombardeios sauditas na província de Saada, no noroeste do país, além de quatro novos ataques aéreos contra o aeroporto internacional da capital Sanaa neste sábado (10). Na sexta-feira (9), dois civis morreram no terminal aéreo de Sanaa após bombardeios da coalizão.

A intensidade das ações aéreas de Riad ocorre em retaliação a ataques sucessivos com drones e mísseis lançados por Ansar Allah contra o território da Arábia Saudita. Na quinta-feira (8), três pessoas morreram após projéteis atingirem o Aeroporto Internacional King Khalid, na capital saudita, provocando danos severos em uma aeronave comercial.

No acumulado da semana, seis pessoas morreram em ações reivindicadas pelo movimento iemenita contra aeroportos sauditas.

Neste sábado (10), a administração do aeroporto de Riade voltou a emitir um alerta oficial recomendando que os passageiros entrem em contato direto com as companhias aéreas para checar a situação dos voos antes de se deslocarem até o terminal.

O movimento Ansar Allah governa a capital Sanaa e a porção norte e oeste do país, onde vivem entre 60% e 70% da população iemenita. Desde o final de 2023, as forças do grupo realizam ações de bloqueio e ataques no Mar Vermelho em solidariedade à causa palestina e contra o genocídio promovido por Israel na Faixa de Gaza, transformando a costa iemenita e o estreito de Bab al-Mandab em um dos principais polos de disputa geopolítica do Oriente Médio.

Editado por: Camila Salmazio

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