Arte e barbárie

Grada Kilomba: uma sociedade que desumaniza o povo e normaliza a violência está fadada à volta do fascismo

Artista portuguesa expõe sua o obra O Barco no Sesc Pompeia até 25 de outubro, com visitação gratuita

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Grada Kilomba
Grada Kilomba nasceu em Portugual em meio à Revolução dos Cravos e a derrubada do fascismo no país | Crédito: Divulgação

Uma obra de 32 metros de comprimento e oito metros de largura, eis O Barco. O trabalho da artista portuguesa Grada Kilomba aporta em São Paulo (SP) pela primeira vez depois de uma longa estadia no museu Inhotim, em Brumadinho (MG), reforçando os laços com o Brasil.

Constituída em Portugal, a obra rodou pela Europa, mas, desde 2023, está por aqui, sendo recebida com “celebração, carinho e intelectualidade”, revela a artista em entrevista ao Bem Viver desta semana.

O Barco está disponível de graça no Sesc Pompeia até o dia 25 de outubro. As visitas podem ser feitas de terças a sextas, das 10h às 21h, e sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h.

Nascida em Portugal, Grada Kilomba se consagrou como uma das mais importantes vozes no debate do neocolonialismo, dos movimentos de diáspora e no combate ao esquecimento e desumanização da população do continente africano. 

“Para mim, interessa-me como artista não trabalhar com respostas, nem dar, nem trabalhar com moralismos, mas, acima de tudo, como levantar uma arqueologia poética do imaginário”, explica.

A obra O Barco foi feita, originalmente, para a Bienal de Lisboa e, segundo Kilomba, dialoga com uma “questão muito filosófica, que é o que o fundo do oceano nos diria amanhã se fosse esvaziado de água hoje”.

“Então eu imagino que, se a água do oceano esvaziasse, nós iríamos encontrar caminhos de corpos humanos em diferentes direções a atravessar o oceano Atlântico. Os naufrágios mais atuais das políticas de imigração severas da Europa, em que as pessoas estão a atravessar as mesmas águas globais em barcos pequenos para escapar de genocídios atuais e guerras”, diz Kilomba.

A artista defende que o esquecimento dessa história faz com que a humanidade esteja fadada à repetição e normalização da violência, como a volta do fascismo percebida mundo afora.

“Para mim é fundamental perceber que há muitas e múltiplas histórias que foram apagadas, que são negadas, mas que são o centro da nossa própria história, da nossa própria existência. E, se nós não compreendermos a complexidade dessa história, a barbárie repete-se”, alerta.

“Então, para nós não repetirmos a barbárie, que se repete através dos genocídios que estamos a vivenciar neste momento, ou do crescimento do fascismo que estamos a observar, só é possível quando nós, de fato, não compreendemos a desumanização e a violência que esta história abarca”, conclui.

E tem mais… 

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O Teatro do Oprimido, de Augusto Boal, inspira militantes das comunas a recontar a história de Simón Bolívar de um jeito leve, irreverente e popular.

Quando e onde assistir?

No YouTube do Brasil de Fato, todo sábado às 13h, tem programa inédito. Basta clicar aqui.

Na TVT: sábado às 13h; com reprise domingo às 6h30 e terça-feira às 20h no canal 44.1 – sinal digital HD aberto na Grande São Paulo e canal 512 NET HD-ABC.

Na TV Brasil (EBC), sexta-feira às 6h30.

Na TVE Bahia: sábado às 12h30, com reprise quinta-feira às 7h30, no canal 30 (7.1 no aparelho) do sinal digital.

Na TVCom Maceió: sábado às 10h30, com reprise domingo às 10h, no canal 12 da NET.

Na TV Floripa: sábado às 13h30, reprises ao longo da programação, no canal 12 da NET.

Na TVU Recife: sábados às 12h30, com reprise terça-feira às 21h, no canal 40 UHF digital.

Na UnBTV: sextas-feiras às 10h30 e 16h30, em Brasília, no Canal 15 da NET.

TV UFMA Maranhão: quinta-feira às 10h40, no canal aberto 16.1, Sky 316, TVN 16 e Claro 17.

Editado por: Rodrigo Gomes

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