ELEIÇÕES 2026

No interior de Minas Gerais, estudantes organizam ato em defesa da democracia

Movimento estudantil da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG) se mobilizou em Carangola pela reeleição de Lula

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Ato foi realizado na Praça Matriz, no centro da cidade
Ato foi realizado na Praça Matriz, no centro da cidade. | Crédito: Enzo Feital/BDF-MG

A duas semanas do segundo turno das eleições, mobilizações são organizadas em todo o país. Na sexta (9), estudantes da Universidade Estadual de Minas Gerais organizaram, em Carangola, na Zona da Mata Mineira, uma caminhada, às 20h, do campus universitário até a Praça Matriz, no centro da cidade. 

Planejado pelo movimento estudantil da universidade e posteriormente apoiado por militantes do PT municipal, o ato é de apoio à reeleição do presidente Lula (PT), em defesa da educação pública e do Estado democrático de direito. Ao final, estudantes, ativistas e servidores da prefeitura discursaram no palco da praça, protegendo as políticas sociais históricas de Lula e Dilma, aos gritos de “UEMG presente, Lula presidente”. 

Marcos Rodrigues, representante do diretório acadêmico da UEMG, enxerga na universidade um espaço de encontro e de resistência ao conservadorismo, muito presente no interior mineiro. 

“O campus em Carangola funciona como um polo progressista para a cidade e para região. O ato de hoje partiu de nós enquanto movimento estudantil, e logo depois abraçado pelos simpatizantes”, afirma. “Vamos continuar. Até o segundo turno, estaremos mobilizados de maneira permanente, para garantir a virada”, conclui Marcos. 

Lula venceu no município por 201 votos, sendo 8.137 votos para o atual presidente contra 7.936 de Flávio Bolsonaro (PL), ou 1,16 ponto percentual, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A votação não representa, no entanto, uma vitória em torno de um projeto político de esquerda. Para o governo do estado, o candidato direitista e vencedor no primeiro turno, Cleitinho (Republicanos), terminou o pleito com uma votação expressiva na cidade, com 55,13% dos votos válidos, contra 29,68% de Patrus (PT). 

No poder legislativo, o cenário não foi diferente. Para o Senado, o mais votado foi Domingos Sávio (PL), com 25,01% dos votos, seguido pela senadora do PT Marília Campos, com 20,05%. Ambos foram eleitos. Já no Congresso, Nikolas Ferreira (PL) dominou com folga, levando 27,45% dos votos para a casa. 

A secretária de assistência social do município, Camila Andrade, entende o descompasso entre a vitória de Lula para a presidência e os outros cargos como uma inconsistência ideológica. 

“O 4 de outubro foi para nós uma confirmação da regra. Uma confusão de posturas e de projetos. Falta a politização da população”, alerta. 

Para ela, a inconsistência é fruto da falta de mobilização geral para instruir os eleitores de que não basta um voto progressista para a presidência se mantermos políticos conservadores em outros cargos. 

“Como secretária, falta enfatizarmos a importância de um executivo nacional de esquerda, assim como quais são as propostas de cada candidato e como isso influenciará, direta e indiretamente, na vida das pessoas”, defende.

A vitória legislativa relevante e a confusão ideológica não desmobilizou as bases sociais em Carangola. Talita Baylão, ativista presente na marcha, entende os atos no interior do Brasil como centrais para a campanha de Lula. 

“O ato de hoje serve para mostrar para nós mesmos e para eles o poder da juventude e do povo de Carangola, que está com Lula. Por mais que se trate de uma cidade pequena, decidimos não nos calar e seguiremos aqui fazendo o L”, afirmou. 

Editado por: Lucas Wilker

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