Um milhão de pessoas participaram do ato em defesa da democracia e em apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), na Avenida Paulista, em São Paulo (SP). Eleitores de outras cidades brasileiras também realizaram atos pela reeleição de Lula.
Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, a cientista política Rosemary Segurado, diretora do Coletivo Digital, avalia que os atos representam uma “demonstração de força muito importante” e destaca que, embora a mobilização na capital paulista tenha sido a maior, não foi a única. Além disso, aponta que algumas análises têm comparado o cenário às manifestações pelas Diretas Já!, que antecederam o início da redemocratização após a ditadura militar.
“Vimos uma manifestação multitudinária em Recife, por exemplo. A cidade de Campinas também registrou uma manifestação muito significativa. Tudo isso demonstra um potencial de virada, de algo que podemos chamar de uma onda lulista crescendo Brasil afora”, afirma.
A campanha de Flávio Bolsonaro (PL), em reação ao movimento das ruas, protocolou um pedido no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para suspender o canal “Exército de Lula”, coordenado por André Janones, por suposta disseminação de fake news. O ministro e presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, pediu apuração da denúncia e um parecer da área técnica do tribunal. Nesta segunda-feira (12), a equipe de apuração indicou que não foi encontrada divulgação de desinformação no canal.
O PT avalia entrar com pedido de suspeição do ministro por atuação em favor da campanha bolsonarista.
Para Segurado, a postura de Nunes Marques, que foi indicado ao STF pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, é de “flagrante alinhamento” à candidatura de Flávio. “É escandaloso, é um posicionamento favorável. Cabe sim ao Partido dos Trabalhadores entrar com uma medida [contra Nunes Marques]”, pontua.
A analista destaca que o canal de WhatsApp, que já supera os 3,7 milhões de seguidores, tem sido uma importante ferramenta de engajamento e de circulação das estratégias da campanha de Lula. “É uma ação democrática, dentro das regras do jogo, ninguém está sendo pago para isso, não há nenhum nível de impulsionamento privado”, enumera.
Rosemary Segurado observa que houve uma mudança de postura da campanha de Flávio diante da reação do eleitorado pró-Lula nas ruas. “Há um sinal de desespero da candidatura de Flávio. Logo após o primeiro turno, Flávio estava falando como eleito, como se já fosse presidente. Ele começa a ver que essa tranquilidade está ameaçada porque a candidatura de Lula tem demonstrado reação e força nas ruas. E como eles fazem isso? Usando o expediente de mentiras e de desinformação, para afetar a imagem da campanha de Lula”, reforça.
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