Defesa da vida

Em missa do Dia de Nossa Senhora, arcebispo de Aparecida prega ‘paz desarmada’ em meio à campanha armamentista da extrema direita

Dom Mário Antônio da Silva também condenou a indiferença diante da fome, da pobreza e da destruição da natureza

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O arcebispo de Aparecida, dom Mário Antônio da Silva
O arcebispo de Aparecida, dom Mário Antônio da Silva | Crédito: Reprodução/TV Aparecida

O arcebispo de Aparecida (SP), dom Mário Antônio da Silva, criticou a disseminação de armamentos e as guerras durante a missa solene do Dia de Nossa Senhora Aparecida, celebrada nesta segunda-feira (12). Na homilia, o religioso também defendeu o acolhimento dos mais pobres e condenou a indiferença diante da fome, da violência e da destruição da natureza.

“Sabemos que Jesus manda construir a paz. E aqui, escutando o Leão 14, uma paz desarmada e desarmante. Mas muitas vezes alimentamos divisões, com armamentos, com guerras e tantos confrontos entre nós”, afirmou o arcebispo do Santuário Nacional de Aparecida, no interior de São Paulo.

Na sequência, dom Mário ressaltou que os ensinamentos cristãos não justificam a violência contra quem pensa diferente. “O evangelho, queridos irmãos e irmãs, não nos autoriza a odiar quem pensa diferente e nem a matar os inimigos”, disse.

A pregação de uma “paz desarmada e desarmante” ocorre em meio à campanha presidencial de 2026, na qual Flávio Bolsonaro (PL) sinalizou que pretende retomar a política armamentista do governo de Jair Bolsonaro. “Legítima defesa tem que voltar, né? Só quem tá armado é bandido”, disse, em 7 de outubro, ao ser questionado pela Folha de S.Paulo sobre a possibilidade de recuperar essa política.

Entre os aliados do candidato, as propostas de flexibilização são mais explícitas. O deputado federal Paulo Bilynskyj (PL-SP) defendeu a revogação dos decretos de controle de armas editados pelo governo Lula, incluindo a retomada de regras mais permissivas para calibres, clubes de tiro e porte de armas. Bilynskyj também propõe retirar do Estatuto do Desarmamento a exigência de comprovação de efetiva necessidade para obter o porte.

Acolhimento dos pobres e defesa da natureza

Em outro trecho da homilia, o arcebispo destacou que a prática da fé exige compromisso com quem enfrenta situações de vulnerabilidade. “Sabemos que Jesus manda amar os pobres, mas nem sempre queremos nos aproximar deles e, às vezes, até os desprezamos, os criticamos com preconceitos e frases feitas. Amemos os pobres e anunciemos a eles a boa nova”, afirmou.

Ao comentar a história de Ester, personagem bíblica que intercede por seu povo ameaçado, dom Mário ressaltou que a fé não pode ser acompanhada de indiferença diante do sofrimento. “Não podemos ficar indiferentes diante das guerras, da destruição da natureza e de tantos outros males que nos afetam, que afetam a população do Brasil e do mundo”, disse.

O religioso também relacionou a mensagem de Nossa Senhora à defesa dos mais vulneráveis. Ao falar sobre as passagens bíblicas abordadas na celebração, destacou a importância de não abandonar quem enfrenta dificuldades e de ajudar as pessoas abatidas.

Fiéis celebram Dia de Nossa Senhora em Aparecida (SP)
Fiéis celebram Dia de Nossa Senhora em Aparecida (SP) | Crédito: Reprodução/TV Aparecida

Disputa pelo voto católico

A celebração ocorre em um ano no qual Nossa Senhora Aparecida ganhou destaque no debate eleitoral. Em setembro, publicações nas redes sociais associaram Flávio Bolsonaro a um projeto de lei que previa alterar a referência à santa como padroeira do Brasil. O senador negou a intenção. Apresentado em 2007 pelo então deputado federal Professor Victório Galli, o Projeto de Lei 2.623/2007 foi arquivado em 2022 e previa substituir a expressão “padroeira do Brasil” por “padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”.

A polêmica se somou a outras tensões entre setores da extrema direita e a Igreja Católica. Em agosto, Flávio afirmou que, caso eleito presidente, um de seus primeiros atos seria decretar que o “Brasil é do Senhor Jesus Cristo”, declaração que provocou incômodo entre católicos.

Neste 12 de outubro, enquanto Lula (PT) e Flávio Bolsonaro participam de celebrações religiosas em Brasília, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, estão no Santuário Nacional de Aparecida, no interior de São Paulo.

Editado por: Geisa Marques

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