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Netanyahu ordena investigação contra militares que participam do documentário ‘Naza’

Premiê israelense exige identificação e inquérito criminal contra soldados e oficiais entrevistados no documentário prem

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Primeiro-ministro Benjamin Netanyahu apoiou a aprovação da lei que prevê pena de morte para palestinos.
Primeiro-ministro Benjamin Netanyahu apoiou a aprovação da lei que prevê pena de morte para palestinos | Crédito: Gergely Besenyei/AFP

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, determinou a identificação e a abertura de investigações criminais contra soldados e oficiais israelenses que prestaram depoimentos ao documentário Naza, produzido pelo jornal britânico The Guardian.

O filme, premiado no Festival Internacional de Cinema de Veneza, investiga os sistemas militares utilizados por Israel nos ataques que provocaram a morte de civis palestinos na Faixa de Gaza.

Segundo o jornal, Netanyahu encaminhou uma carta à procuradora-geral de Israel, Gali Baharav-Miara, ao chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel, Eyal Zamir, e ao diretor do serviço de segurança interna Shin Bet, David Zini, exigindo medidas contra os militares que participaram do documentário.

Na correspondência, o primeiro-ministro ordenou que as autoridades “ajam com urgência para descobrir a identidade de todos os envolvidos ou que aparecem no filme difamatório”. Também solicitou “a abertura de uma investigação criminal e o processo penal por graves crimes de segurança da informação, difamação criminal e por prejudicar os interesses diplomáticos e de segurança de Israel”.

Netanyahu vem fazendo uma série de ameaças contra os realizadores do documentário. O ministro da Cultura israelense, Miki Zohar, defendeu a cassação da cidadania de Abraham e Szor. Também ocorreram manifestações contra os diretores, pedindo pena de morte e acusando-os de traição.

Naza

Dirigido pelos cineastas israelenses Yuval Abraham e Rachel Szor, NAZA foi filmado de forma secreta à noite nos telhados de Tel Aviv e reúne depoimentos de 24 oficiais. Eles contam os mecanismos empregados pelas Forças de Defesa de Israel para selecionar alvos e autorizar bombardeios em Gaza.

A equipe do Guardian também entrevistou mais de 100 pessoas familiarizadas com os sistemas utilizados pelas Forças de Defesa de Israel, incluindo comandantes de alta patente que participaram diretamente da autorização de ataques, para cruzar as informações.

O material, detalha o jornal, foi submetido a um processo de verificação que incluiu documentos confidenciais vazados, análise detalhada de operações militares específicas e cruzamento de informações com outras fontes que não aparecem no documentário.

Esses oficiais relatam como os palestinos são alvejados e como esses ataques acontecem, apesar de o governo israelense saber que há civis nas áreas visadas. Naza é um acrônimo militar de “Nezek Agavi”, que significa danos colaterais. Ele é usado pelas Forças Armadas de Israel para se referir ao número de civis que se espera serem mortos em um ataque aéreo em Gaza.

Antes da determinação de Netanyahu, o chefe do Estado-Maior israelense, Eyal Zamir, já havia solicitado que autoridades militares e jurídicas identificassem os soldados que aparecem no filme e examinassem possíveis medidas contra eles.

O procurador-geral militar, Itai Ofir, entretanto, afirmou que a abertura de um processo criminal dependeria de provas de violações de segurança ou divulgação de informações confidenciais, embora medidas disciplinares ainda pudessem ser adotadas.

Reação

A Federação Europeia de Jornalistas, que representa mais de 320 mil profissionais, acusou a tentativa do governo israelense de identificar as fontes do documentário. O secretário-geral da entidade, Ricardo Gutiérrez, classificou as ameaças como “um ato flagrante de intimidação contra jornalistas”.

Em sua avaliação, a medida confirma que “este regime está disposto a tudo para encobrir os seus crimes contra a humanidade e o genocídio em curso em Gaza”.

Um porta-voz do The Guardian também acusou a medida: “depois de ameaçar retirar a cidadania israelense dos diretores da Naza, o governo israelense agora exige uma investigação sobre suas fontes jornalísticas”.

Segundo o jornal, “todas essas medidas são tentativas de desviar a atenção das questões urgentes que o filme levanta sobre os assassinatos em massa de civis palestinos em Gaza”.

O jornal frisa: “jornalistas devem ter a liberdade de realizar investigações de interesse público sem ameaças ou assédio”.

O cinema também reagiu. Mais de 1.500 profissionais do cinema israelense assinaram uma petição de apoio a Yuval Abraham e Rachel Szor, que também receberam a solidariedade de 43 organizações israelenses de direitos humanos e de representantes dos festivais de Locarno, Berlim, San Sebastián e Telluride.

Editado por: Opera Mundi
Conteúdo originalmente publicado em: Opera Mundi

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