O vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Ryabkov, declarou nesta terça-feira (13) que o resultado da conversa telefônica entre os presidentes Vladimir Putin e Donald Trump, é “sem precedentes”. De acordo com ele, o acordo sobre o fornecimento do diesel russo surpreendeu o “partido da guerra”.
“É claro que a eficácia — o resultado absolutamente sem precedentes da conversa telefônica entre os presidentes [russo e americano], que ocorreu há dois dias — surpreendeu muitos no partido da guerra”, disse o vice-ministro.
Ao mesmo tempo, Ryabkov rejeitou as sugestões de que Moscou tenha feito algum tipo de concessão sobre as negociações referentes à guerra da Ucrânia ao concordar com o acordo sobre o diesel com os EUA.
O vice-chanceler também destacou que Moscou, sobre o diesel, está convencendo aqueles que ainda não perceberam que o lado russo alcançará seus objetivos em relação à guerra da Ucrânia.
“Sempre defendemos e continuamos a defender uma solução [política]. Se o outro lado não estiver preparado para isso, seus objetivos serão alcançados militarmente, o que enfraquecerá a posição de negociação do outro lado. Quanto antes eles perceberem isso, melhor. Acho que o chamado acordo sobre o diesel está fazendo um ótimo trabalho ao convencer aqueles que ainda não entenderam isso”, frisou.
Os presidentes da Rússia e dos EUA, Vladimir Putin e Donald Trump, anunciaram um acordo sobre o fornecimento de diesel russo na última sexta-feira (9). Após o anúncio, o vice-primeiro-ministro russo, Alexander Novak, anunciou a prontidão da Rússia para exportar 300 mil toneladas de diesel em outubro, 500 mil toneladas em novembro e 1 milhão de toneladas em dezembro. Posteriormente, o volume de entregas poderia chegar a 3 milhões de toneladas mensais.
O ministro das Finanças russo, Anton Siluanov, por sua vez, declarou que o acordo de fornecimento de diesel com os EUA é benéfico para a Rússia. De acordo com ele, o acordo permitirá que as empresas nacionais aumentem sua receita e terá um impacto positivo na balança de pagamentos do país.
“Nossas empresas terão a oportunidade de exportar diesel, obter receita e divisas estrangeiras com isso. Isso é importante para nossa balança de pagamentos e para as empresas, em primeiro lugar, é claro”, disse Siluanov durante uma reunião com jornalistas na Duma Estatal.
Já o porta-voz da presidência russa, Dmitry Peskov, declarou nesta terça-feira (13) que o “acordo do diesel” era do interesse tanto da Rússia quanto dos EUA, bem como dos mercados globais de energia.
Entenda o acordo sobre o diesel
O acordo anunciado por Donald Trump prevê a retomada das exportações de diesel russo para os mercados internacionais, incluindo os Estados Unidos, após Washington flexibilizar temporariamente as sanções contra o combustível.
A medida ocorre em meio à alta dos preços dos combustíveis nos Estados Unidos, às vésperas das eleições legislativas de novembro. Trump apresenta a liberação do diesel russo como uma alternativa para ampliar a oferta e aliviar os custos para consumidores, agricultores e transportadores. Entretanto, análises publicadas pelo The Washington Post e pelo Financial Times apontam que o impacto econômico imediato tende a ser limitado.
De acordo com as publicações, o volume anunciado equivale a aproximadamente 74 mil barris por dia, cerca de 2% da produção estadunidense de diesel, estimada em 3,6 milhões de barris diários. A escala reduzida torna improvável uma queda expressiva dos preços nos Estados Unidos, sobretudo diante da escassez internacional de capacidade de refino e da instabilidade provocada pela guerra no Oriente Médio.
O acordo também tem implicações políticas que vão além do mercado de energia. A flexibilização das sanções abre uma oportunidade de receita para as empresas russas e enfraquece a estratégia de isolamento econômico do Ocidente sobre Moscou. Ao mesmo tempo, a iniciativa expõe divergências entre Washington e seus aliados europeus, que continuam ampliando as restrições contra a Rússia.
Sanções da UE
Enquanto Washington e Moscou celebram um acordo inédito sobre o fornecimento de diesel, a União Europeia adota mais sanções contra a Rússia. Em 10 de outubro, a chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, anunciou o 22º pacote de sanções da UE contra a Rússia. Segundo ela, este será o maior desde o início do conflito na Ucrânia.
Kallas esclareceu que as novas restrições visam à indústria militar russa. O pacote prevê sanções contra fabricantes de mísseis balísticos e empresas que produzem tecidos especiais, fibras sintéticas e fibras de carbono para sistemas de mísseis. As listas incluirão mais de 1.600 indivíduos e organizações.
A política de sanções ocorre em paralelo a uma aproximação pontual entre Moscou e Washington no setor energético, evidenciando a diferença de abordagem entre os Estados Unidos e os países europeus em relação à Rússia. Enquanto o governo Trump negocia o fornecimento de diesel russo, a UE mantém a estratégia de ampliar as restrições econômicas e tecnológicas contra Moscou.
Ao comentar o novo pacote, o vice-chanceler russo Serguei Ryabkov afirmou que as relações da Rússia com a União Europeia estão em um ponto crítico, mas atribuiu aos europeus a responsabilidade pela situação.
“Nós, é claro, entendemos que as relações com a União Europeia, com o Ocidente como um todo, estão atualmente em um ponto crítico. Mas não somos responsáveis por isso”, disse.
Ryabkov também criticou a sucessão de medidas restritivas adotadas pelo bloco europeu e afirmou que os pacotes de sanções acabam se contradizendo.
O vice-chanceler acrescentou que Moscou não considera as medidas europeias capazes de alterar os rumos da política russa. “Que continuem apresentando seus pacotes. Esses pacotes não têm significado algum”, concluiu.

