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Ato no Rio expõe divisão de classes e pressão pelo fim da escala 6×1, analisa cientista política

Larissa Peixoto Gomes aponta uma 'elite mesquinha' alinhada a postura de Flávio Bolsonaro antes de votação no Congresso

A praia da Copacabana ficou lotada de apoiadores de Lula neste feriado de 12 de outubro.
A praia de Copacabana ficou lotada de apoiadores de Lula neste feriado de 12 de outubro | Crédito: Jorge Messias/Instagram

Durante o ato em apoio à candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) realizado nesta segunda-feira (12) em Copacabana (RJ), o grupo de manifestantes em defesa da democracia interagiu com pessoas que, da varanda do Copacabana Palace, dançavam e gesticulavam em apoio a Flávio Bolsonaro (PL). A imagem expõe uma diferença de classe social e viralizou. Cientista política e pesquisadora na Universidade de Edimburgo, Larissa Peixoto Gomes considera a imagem dos bolsonaristas dançando e debochando como “o puro suco do Brasil”.

Gomes comenta a postura da elite e a do próprio Flávio, que mudou de posição sobre o fim da escala 6×1. Destaca que a mudança do bolsonarista usa como argumento que “é o que a maioria da população quer”, evidenciando que o candidato percebeu o risco de não apoiar o fim da escala 6×1. “Me faz pensar na citação do Darcy Ribeiro sobre a elite brasileira ser ruim e ranzinza. É uma elite mesquinha, que, na parte da luta de classes, não consegue aceitar que outras pessoas consigam ter um pouco”, afirma ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato. Para Gomes,

A analista considera que “a direita e extrema direita estão analisando que vai ferir mais a candidatura do Flávio Bolsonaro não apoiar do que vai ajudar o Lula” e, por essa razão, a tendência é de aprovação da pauta.

Gomes ressalta que Flávio tem feito acenos de alterar a Constituição e terá alguma facilidade para isso, já que a extrema direita ganhou muito espaço no Congresso Nacional. “Existe um pensamento estratégico, ao meu ver, de que, no ano que vem, ele quer mudar a Constituição, ainda que ele não chame uma Assembleia Constituinte”, aponta.

Com relação à decisão do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, de derrubar o canal de WhatsApp “Exército do Lula”, que vinha fazendo um importante trabalho de circulação de informações da campanha e de mobilização, Larissa Peixoto Gomes considera que foi um ato de claro benefício ao Flávio. “Kassio Nunes está fazendo a proteção do aliado dele. É uma sensação de um AI-5, de uma censura mesmo. Os técnicos do TSE olharam o canal e viram que não há evidências de desinformação”, reforça. “Nós estamos usando o algoritmo de forma que ele funcione para nós; estamos usando as ferramentas que existem nele. A ideia de que o canal é problemático é pura censura. A situação é completamente absurda”, afirma.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Gia Matheus Almeida

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