Posicionamento

Chico Chico defende voto em Lula e cobra engajamento de artistas: ‘Arte e política são inseparáveis’

Músico destacou papel da mobilização democrática, criticou extrema-direita e relembrou vivências na infância com o MST

Chico Chico falou sobre política, música e a influência da mãe, Cássia Eller, durante entrevista ao Conexão BdF 2ª Edição
Chico Chico falou sobre política, música e a influência da mãe, Cássia Eller, durante entrevista ao Conexão BdF 2ª Edição | Crédito: Divulgação

O cantor e compositor Chico Chico defendeu o voto no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e destacou a importância do posicionamento político dos artistas durante entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato. Na conversa, o músico também falou sobre a influência da mãe, Cássia Eller, sua trajetória artística e as dificuldades enfrentadas por profissionais da música diante do crescimento das plataformas de streaming.

Ao comentar o cenário político brasileiro e a participação de artistas nas eleições, Chico Chico afirmou que o engajamento faz parte de sua formação pessoal e destacou a necessidade de mobilização em defesa da democracia.

“Votar no Lula neste momento é uma pedrinha para frear tudo isso que está rolando. Não vai resolver tudo sozinho, mas é imprescindível”, declarou o artista, que também demonstrou preocupação com os acontecimentos recentes no Congresso Nacional.

Para o compositor, arte e política são dimensões inseparáveis da vida em sociedade. “Não existe não atuar politicamente: se você existe no mundo, você é um ser político”, afirmou.

Chico Chico contou que, ainda na infância, participou de atividades escolares relacionadas à memória da ditadura militar e teve a oportunidade de conhecer assentamentos do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Segundo ele, essas experiências contribuíram para sua compreensão sobre a importância da participação social.

Legado de Cássia Eller

Durante a entrevista, o músico também relembrou a trajetória de sua mãe, Cássia Eller, e ressaltou o significado político de sua existência e de sua liberdade de expressão.

“A vida da minha mãe em si já representava muita coisa. Ela nunca escondeu nada do que era, e o que ela era foi sempre muito combatido por uma extrema-direita e por pessoas que não sabem existir com a diferença”, afirmou.

O cantor destacou ainda a importância de sua criação familiar. “Tenho um orgulho imenso das mães que tenho e da mãe que tive. Fui criado por duas mulheres muito amorosas, acolhedoras e inclusivas”, contou.

Grammy e novos projetos

Indicado pela terceira vez ao Grammy Latino, desta vez pelo projeto “O Deixa Arder”, Chico Chico afirmou que não encara a música como uma competição, mas reconhece a importância do prêmio para os profissionais envolvidos na produção.

“Você não ganha nem perde com uma canção, uma canção não é campeã das canções, disco também não”, avaliou o músico, que considerou a indicação uma valorização do trabalho coletivo.

O artista também comentou o lançamento de “Terceiro Ato”, registro ao vivo com acompanhamento de orquestra, e a experiência de adaptar suas apresentações a uma estrutura musical mais organizada.

Outro assunto abordado foi o lançamento de “Pequeno Sigilo”, seu primeiro livro, publicado neste ano. Para Chico Chico, diferentes expressões artísticas podem contribuir para transformações sociais, ainda que não sejam capazes de promovê-las isoladamente.

Críticas ao streaming

O cantor também criticou o modelo de remuneração das plataformas digitais, apontando prejuízos para os profissionais responsáveis pela produção musical.

“Elas funcionam como um atravessador, tirando dinheiro de quem produz”, declarou Chico Chico, ao defender uma distribuição mais justa dos recursos gerados pelo consumo de música.

Em contraposição à digitalização, o compositor valorizou a experiência dos discos de vinil, que, segundo ele, permitem uma relação mais completa com a música, reunindo fotografia, artes visuais e sonoridade.

Serviço

Chico Chico – Show na Audio
Data: 19 de dezembro de 2026 (sábado).
Abertura da casa: 20h.
Local: Audio.
Endereço: Avenida Francisco Matarazzo, 694, Barra Funda, São Paulo (SP).
Classificação indicativa: 18 anos.
Ingressos: disponíveis pela plataforma Ticket360 e pela bilheteria virtual da Audio.
Bilheteria virtual: compras pelo aplicativo, com isenção da taxa de serviço para quem estiver em um raio de até 500 metros da casa de shows.

Assista à entrevista completa:

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h25 e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Gia Matheus Almeida

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