O influenciador, comunicador e ativista ambiental Mateus Fernandes foi ameaçado de morte com referências a supremacia branca e ao nazismo após declarar voto em Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Como teve o endereço residencial exposto, precisou sair de casa.
Ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, Fernandes demonstrou estar abalado com toda a situação que definiu como “lamentável”. Ele explica que trabalha com produção de conteúdo há pelo menos cinco anos sobre política, meio ambiente e questões raciais. Após o resultado do primeiro turno, o jovem começou a encabeçar um movimento de vira voto. “Eu consegui articular mais de 500 influenciadores para que criassem conteúdos de maneira volumosa para a gente chegar no eleitorado que não votou. Após o dia 7, justamente por conta da repercussão que ocorreu nas redes sociais, por ter furado a bolha, eu comecei a receber alguns ataques. Inicialmente os ataques eram ofensas e de maneira intercalada, mas depois eles começaram a se intensificar”, relata.
Mateus Fernandes conta que recebeu a ameaça em carta, assinada por um suposto movimento de supremacia branca, trazia referência de um comandante nazista dos campos de concentração e dizia “Vamos te encontrar”. Ele registrou um boletim de ocorrência, no qual detalhou pelo menos 15 ameaças diretas.
“Os vídeos que eu tenho produzido são muito mais falando desse ódio que se cria em períodos eleitorais, sobre como a gente precisa combater a extrema direita e como isso coloca em risco também direitos humanos, políticas públicas, entre outras violações. Agora está me atingindo”, desabafa.
Segundo o influenciador, foi encaminhado ao Ministério Público um pedido de medida protetiva, mas ainda não houve retorno. “O que a gente está fazendo é se articulando enquanto movimento. A Coalizão Negra por Direitos está dando esse suporte. Estamos tentando entrar em contato também com fundos de filantropia que olham também para proteção e preservação de saúde, integridade física de ativistas, mas, por enquanto, eu não tive nenhum respaldo de uma esfera pública”, ressalta.
Na avaliação de Fernandes, direita e esquerda, apesar das diferentes visões de mundo, estão em lados opostos ao bolsonarismo, que sempre fomentou e segue estimulando discursos de ódio ao diferente. “Esse discurso de ódio que foi propagado pela própria família Bolsonaro ganha legitimidade para crimes violentos como esse. As pessoas se sentem legitimadas a reproduzir, a ameaçar. E aqui, quando eu falo bolsonarismo, justamente porque os principais perfis que fizeram essas ameaças, citando a supremacia branca, citando ideologias nazistas, tinham em sua foto de perfil o número do candidato Flávio Bolsonaro. Elas falavam que essa morte seria também em nome da família Bolsonaro”, reforça.
Para ouvir e assistir
O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

