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Parlamentar cobra punição de Ibaneis Rocha após relatório da PF sobre Banco Master

Deputado retoma denúncias sobre a negociação entre BRB e relaciona crise do banco público à retirada de recursos

Max Maciel
Deputado distrital Max Maciel (Psol-DF) | Crédito: Carlos Gandra / Agência CLDF

O deputado distrital Max Maciel (Psol) cobrou a responsabilização do ex-governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha (MDB) após a divulgação de informações da Polícia Federal (PF) sobre a participação do então chefe do Executivo nas articulações para a tentativa de compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB). Durante sessão ordinária da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), nesta terça-feira (13), o parlamentar afirmou que já questionava a negociação em 2025 e criticou a atuação do ex-governador no processo.

“É uma maravilha como eles utilizam o recurso público na cara da população, viajando para países, gastando um absurdo de dinheiro para tramar contra o povo”, declarou Max, ao comentar as informações sobre uma reunião realizada na Suíça entre Ibaneis, Daniel Vorcaro, proprietário do Master, e Paulo Henrique Costa, então presidente do BRB.

O deputado afirmou que já havia levantado suspeitas sobre a condução da negociação na tribuna da CLDF, antes da divulgação das informações reunidas pela PF.  “Nada disso me surpreende, porque foi nesta tribuna que denunciamos que alguma coisa não estava bem nessa negociação do BRB Banco Master. Eu me recordo que, em 2025, eu vim a essa tribuna e disse: ‘Algum acordo o governador tem com essa relação para ele ser tão fiador, tão lobista em fazer com que o BRB aja com negócios com o Banco Master’”, afirmou.

Mensagens

As declarações ocorrem após a divulgação de informações de um relatório da PF encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo os investigadores, mensagens encontradas nos celulares de Vorcaro e Paulo Henrique Costa indicam que Ibaneis acompanhava as tratativas e participou de articulações relacionadas à tentativa de aquisição. O material também registra uma reunião entre os três em Zurique, na Suíça, em janeiro de 2025.

Max afirmou que as informações reforçam questionamentos que já eram feitos por ele e por outros críticos da operação. “Só constata o que estava óbvio, que tudo foi planejado, que tudo foi acordado, articulado para que um banco público fosse saqueado. O que nós estamos perguntando é o que a população está perguntando todo dia na rua: quando ele vai ser punido, culpado e vai devolver parte do recurso que está envolvido”, disse o parlamentar.

A tentativa de aquisição foi anunciada pelo BRB em março de 2025. A proposta previa a compra de 49% das ações ordinárias, que dão direito a voto, e de 100% das ações preferenciais do Master. Em setembro daquele ano, o Banco Central rejeitou a operação. As transações entre as instituições passaram a ser investigadas diante de suspeitas de irregularidades.

Informações divulgadas sobre a investigação da PF apontaram um possível prejuízo de R$ 17 bilhões e um fluxo de R$ 12,2 bilhões do BRB para o Master nos primeiros meses de 2025. A defesa de Ibaneis Rocha, representada pelo advogado Kakay, negou interferência do ex-governador nas negociações entre BRB e Master e afirmou que o então presidente do banco tinha autonomia para conduzir a operação. Segundo os advogados, as mensagens não comprovam participação irregular de Ibaneis.

Crise do BRB e recursos da saúde

Além de cobrar explicações sobre a tentativa de aquisição, Max Maciel relacionou a crise do banco público aos problemas enfrentados pela saúde do Distrito Federal. O deputado criticou a destinação de recursos para socorrer o BRB e questionou os efeitos dessa movimentação sobre os serviços públicos.

Na tribuna, o parlamentar também criticou a decisão do governo de não realizar o aniversário de Brasília nos moldes previstos anteriormente. “No final das contas, nós não tivemos aniversário de Brasília, estamos sem médico e menos R$ 120 milhões do Fundo de Saúde. Esse é o diagnóstico preciso do que nós estamos assistindo agora, fruto de uma gestão que acabou com o banco”, afirmou.

O parlamentar também apontou dificuldades enfrentadas por moradores que dependem das unidades básicas de saúde, citando equipes sem médicos e a falta de atendimento para consultas e acompanhamento de tratamentos.

Outro ponto levantado por Max Maciel foi o futuro dos trabalhadores do banco público. “Está levando junto o sonho de muitos trabalhadores e trabalhadoras bancários, que não sabem qual será o seu destino. Fica aqui o desafio ao governo do Distrito Federal: que encaminhe a esta Casa um documento que assegure, independentemente do que acontecer com o banco, que, se porventura ele for liquidado ou privatizado, os profissionais do Banco de Brasília tenham seus empregos garantidos”, declarou.


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Editado por: Clivia Mesquita

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