O fim da escala 6×1 será votado, em primeiro turno, nesta quarta-feira (14), em meio à pressão popular pela aprovação da PEC e à mudança de postura do candidato Flávio Bolsonaro (PL), que era contra a medida, mas agora, em meio à campanha eleitoral, afirmou que vai votar a favor da redução de jornada. Contudo, o senador declarou a apoiadores que, caso vença a presidência, vai modificar o projeto.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), afirmou que já há assinaturas suficientes para acelerar a tramitação da matéria. Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, o deputado federal Reginaldo Lopes (PT-MG) afirma que as tratativas entre Alcolumbre e a líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), estão bastante avançadas.
A ideia, segundo o parlamentar, é que os dois turnos sejam votados nesta quarta para que, na próxima semana, o Congresso possa promulgar a medida e acabar de vez com a escala 6×1. “Não tem razão de existir no século 21 [a escala 6×1]; é a escravidão moderna. Nós vamos derrotar a oposição”, aponta.
Lopes destaca o retrocesso previsto no projeto de governo de Flávio, que é o reforço do trabalho intermitente, em que o trabalhador ganharia por hora trabalhada e negociaria diretamente com o patrão. “O trabalhador passa a não ter nenhuma garantia, inclusive nenhuma garantia de remuneração fixa diante das suas despesas, que são mensais”, critica.
Para Reginaldo Lopes, diante de todo o cenário, a aprovação do fim da escala 6×1 é uma conquista fundamental do povo brasileiro. “Evidente que essa é uma grande vitória e vamos colocar na Constituição Brasileira a garantia de dois dias de descanso semanais sem redução de salário”, aponta. “Quem ganha é toda a sociedade brasileira.”
Apesar da pressão de parte do empresariado para que a jornada de trabalho não seja reduzida, alegando impactos financeiros para empresas, especialmente as de pequeno porte, Lopes destaca que muitos empresários já aderiram à escala 5×2 por entenderem que “a saúde do colaborador é importante”. “Essa já é uma realidade. Os empresários que têm compromisso com a qualidade de vida dos trabalhadores já aderiram. É uma política de ganha-ganha”, ressalta.
Na avaliação do deputado, o tema tem a capacidade de furar a bolha da polarização que tem marcado a sociedade brasileira, já que 80% da população aprova a redução de jornada. “A pressão das ruas e das redes levou, inclusive, à mudança de posição, lógico, de maneira dissimulada, provisória e demagógica, do candidato Flávio Bolsonaro. Isso mostra a força da matéria. Então, acho que foi uma combinação da mobilização das ruas, das redes e da liderança do presidente Lula”, reforça Reginaldo Lopes.
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