Um levantamento do MapBiomas mostra que, em 2025, a Amazônia Legal registrou o menor desmatamento da série histórica iniciada em 1985, com 693 mil hectares. Desse total, 639 mil hectares, ou 92%, ocorreram em vegetação primária, enquanto 54 mil hectares ocorreram em vegetação secundária.
Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (14) em um momento crucial da campanha de segundo turno, em que dois projetos de Brasil bastante distintos estão em disputa. Márcio Astrini, secretário executivo do Observatório do Clima, destaca que, além de negar a emergência climática, Flávio Bolsonaro (PL) já disse que vai repetir a mesma política ambiental de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. “Durante o governo Bolsonaro, de 2019 a 2022, o desmatamento da Amazônia cresceu mais de 70%”, destaca.
Além disso, Astrini destaca o aumento do crime ambiental causado pela falta de fiscalização. “Foi uma parceria entre a presidência da república e o crime ambiental. Este crime, durante quatro anos, cresceu em volume. Ele enriqueceu como nunca antes. Ele começou a usar esse dinheiro, inclusive, para entrar dentro da política, ocupar cargos, deputado federal, estadual, prefeituras, no Senado”, ressalta.
Para o geógrafo e professor de pós-graduação de Ciência Ambiental na Universidade de São Paulo (USP), Wagner Ribeiro, os dados de controle de desmatamento sob Lula mostram a eficácia da política pública e que é possível manter a floresta em pé e, ao mesmo tempo, manter os serviços ambientais e de ecossistemas que todos nós precisamos. “Em termos práticos, a redução do desmatamento vai permitir, em tempos de super El Niño, manter o abastecimento de água para as cidades, para a produção agrícola. Todo esse complexo sistema de água passa pela Amazônia”, destaca, em referência aos rios voadores.
Ribeiro também aponta o aspecto de que até mesmo a produção agrícola tem a ganhar com a preservação ambiental e a recuperação do bioma. “Existe muito estudo bem-sucedido de reintrodução agropecuária em áreas ditas degradadas, o que chamamos de agricultura regenerativa”, exemplifica. “E ainda há a manutenção da sociobiodiversidade brasileira. A gente tem os indígenas, os quilombolas, os caboclos, ribeirinhos, etc. Essas pessoas têm conhecimento da floresta e têm conhecimento de plantas medicinais, alimentares. Esse conhecimento de povos originários, combinado à tecnologia, pode promover a produção de alimentos, de medicamentos e muito mais”, argumenta.
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