'Irmãozão'

PF aponta Flávio Bolsonaro como ‘usuário master’ em conta bancária de offshore ligada ao Master

Relatório revela acesso a empresa dona de fração de jato executivo, ligada a advogado do escândalo do INSS; senador nega

À tribuna, em discurso, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
À tribuna, em discurso, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) | Crédito: Carlos Moura/Agência Senado

Um relatório da Polícia Federal (PF) apontou que o senador e candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL) constava como “usuário master” da conta bancária de uma empresa sediada na Ilha da Madeira, em Portugal.

A offshore Alcazar Holdings é administrada pelo advogado Willer Tomaz, investigado por fraudes em descontos de benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), e era dona de um terço do jato executivo que tinha entre seus proprietários o banqueiro Daniel Vorcaro.

A informação foi revelada pela colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, e confirmada nos documentos do inquérito. De acordo com os investigadores, a documentação de abertura da conta no banco Santander indica que o parlamentar figurava com perfil que lhe conferia “nível elevado de acesso e gerenciamento” e “acesso operacional relevante”, condição que “sustenta a hipótese de sua eventual participação econômica ou societária de fato na empresa”.

A Alcazar Holdings detinha 33,33% da Fraction 024 Administração de Bem Próprio S.A., proprietária do jato Embraer Legacy 650 (matrícula PP-NLR). As outras cotas da aeronave pertenciam ao empresário Laerte Cosentino e à empresa Prime You, da qual Vorcaro foi sócio entre setembro de 2021 e setembro de 2025.

O avião foi utilizado por Flávio em janeiro de 2025 para uma viagem de ida e volta entre Brasília e Fort Lauderdale, nos Estados Unidos. Para a PF, o vínculo com a holding é relevante para esclarecer as relações indiretas em torno do patrimônio compartilhado.

Desvinculação após escândalo do INSS

A troca de e-mails com o banco foi recuperada pela perícia da PF a partir de arquivos armazenados no serviço de nuvem iCloud de Willer Tomaz. Em 22 de maio de 2025, um mês após a deflagração das apurações públicas sobre o esquema no INSS, uma funcionária do advogado enviou mensagem à área de clientes corporativos do Santander solicitando a desassociação de duas contas ligadas ao perfil master: uma em nome de Flávio Bolsonaro e outra descrita como “conta PF Willer”. O banco confirmou a exclusão das contas do contrato duas horas depois.

A apuração também identificou que Tomaz utilizou outra companhia, a Cathedral Holding, para adquirir passagens aéreas e custear viagens internacionais para Flávio e familiares. Foram localizadas reservas em jatos executivos Bombardier Challenger 350 para voos entre Lisboa e Nice, em abril de 2025, e entre Cascais e Nice, em maio de 2025, além de menções a deslocamentos para Mônaco. Em março do mesmo ano, ambos realizaram um safári na África do Sul com o senador Weverton Rocha (PDT-MA), também investigado no caso do INSS.

Os investigadores apontaram ainda que Tomaz mantinha contato com Flávio por meio do aplicativo Confide, plataforma de mensagens criptografadas que se autodestroem após a leitura e impedem capturas de tela. O número do senador constava na lista de contatos favoritos do advogado.

Desvinculação após escândalo do INSS 

Em nota, a assessoria de Flávio Bolsonaro afirmou que o parlamentar “nunca manteve conta tendo como usuário master o Sr. Willer Tomaz ou qualquer de suas empresas” e declarou que as afirmações são falsas.

A defesa sustentou que a mensagem enviada ao banco comprova que se tratava de uma vinculação indevida que foi corrigida e classificou a divulgação dos dados como tentativa de interferência eleitoral.

O advogado Willer Tomaz também repudiou as suspeitas, afirmando que mantém apenas relação de amizade com o senador, sem vínculo financeiro ou societário. Tomaz declarou que as viagens citadas foram de caráter pessoal e de lazer com familiares, sem pagamento ou contrapartida, e classificou a hipótese de participação societária como ilação.

Editado por: Gia Matheus Almeida

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