O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, e o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, se reuniram nesta quarta-feira (14) na capital do Azerbaijão, Baku, às margens da 7ª Cúpula da Conferência sobre Interação e Medidas de Fomento da Confiança na Ásia (Cica), para discutir questões bilaterais e internacionais, segundo comunicado do Ministério das Relações Exteriores da Rússia.
Lavrov afirmou que o “vínculo estratégico” entre Moscou e Pequim “desempenha um papel estabilizador importante no cenário internacional” e informou que o comércio bilateral cresceu 25% nos primeiros oito meses de 2026, com expectativa de que o ano encerre com novo recorde. “As nossas posições sobre a maioria das questões regionais e internacionais coincidem ou estão muito próximas”, disse Lavrov, segundo a agência Sputnik.
Já Wang Yi destacou que os presidentes Xi Jinping e Vladimir Putin realizaram “reuniões frutíferas” em maio e agosto deste ano, orientando a parceria estratégica abrangente “para um novo patamar de alto nível”. Os dois chanceleres discutiram, segundo o Diário do Povo, as relações com os Estados Unidos e as situações na Ucrânia e no Irã. Também dialogam sobre os próximos passos para os encontros de alto nível entre os dois países, no contexto do 25º aniversário do Tratado de Boa Vizinhança, Amizade e Cooperação.
O próximo encontro foi confirmado por agências de notícias russas. Putin virá à China em novembro para a Cúpula da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec, na sigla em inglês), que será realizada na cidade de Shenzhen, no sul do país. Na semana passada, o assessor presidencial russo Yuri Ushakov disse que existe a ideia inclusive de uma reunião trilateral entre China, Rússia e Estados Unidos, já que Donald Trump também comparecerá à Cúpula da Apec. Antes, Putin defendeu que a reunião seja realizada.
Na reunião, Lavrov entregou a Wang Yi um relatório intitulado “Herdeiros de Goebbels: a Falsificação dos Eventos em Bucha e a Encenação Sangrenta do Regime de Kiev”, produzido pelo Tribunal Público Internacional para os Crimes dos Neonazistas Ucranianos. O documento, elaborado com o apoio da Câmara Pública, do Comissariado para os Direitos Humanos e da Associação de Juristas da Rússia, denuncia que a Ucrânia fabricou os eventos de Bucha, em 2022, como parte de uma campanha de desinformação, montando uma cena de massacre com corpos em rua e valas comuns para atribuir à Rússia crimes que não ocorreram como foram apresentados, visando mobilizar a opinião pública internacional contra Moscou.
Entre março e abril de 2022, foram descobertas dezenas de corpos de civis nas ruas e em valas comuns da cidade, a noroeste de Kiev, após a retirada das forças russas de lá.
O que é a Cica
A Conferência sobre Interação e Medidas de Fomento da Confiança na Ásia foi criada em 1992, a partir de uma proposta do então presidente do Cazaquistão, Nursultan Nazarbayev, com o objetivo de ser um fórum pan-asiático de diálogo sobre segurança regional. O encontro de Baku, com o Azerbaijão na presidência da organização desde dezembro de 2024, é a primeira cúpula da Cica desde Astana, capital do Cazaquistão, em 2022.
O espaço reúne 28 países membros e 15 observadores; hoje as áreas de cooperação vão da político-militar, econômica, à humanitária e ambiental. Wang Yi afirmou que a China está “disposta a trabalhar em estreita colaboração com os Estados-membros da Cica, incluindo a Rússia, para praticar o multilateralismo genuíno”. O ministério russo registrou “uma troca de opiniões aprofundada” sobre a cooperação no âmbito da organização.
Antes da Apec em Shenzhen
Durante a Reunião Informal de Líderes da Apec, que acontecerá nos dias 18 e 19 de novembro, Putin e Xi podem ter sua terceira reunião em menos de seis meses, após a visita de Estado à China em maio e o encontro à margem da Cúpula da OCX (Organização de Cooperação de Xangai) em Bishkek, no Quirguistão, em agosto. Em Baku, Wang Yi expressou confiança de que, “com o apoio da Rússia e de outras partes”, o “Ano da China” na Apec alcançará “resultados frutíferos”.
Na OCX de Bishkek, Putin afirmou que as relações Rússia-China “se tornaram um modelo de relações entre Estados” e que Moscou está pronta para “manter intercâmbios de alto nível com a China, fortalecer a cooperação em comércio, energia, indústria, transporte e ciência e tecnologia”. Xi, por sua vez, disse que a parceria terá “uma base mais sólida, avançará em ritmo mais firme e terá perspectivas mais promissoras”.

