Coordenação

Chanceleres da Rússia e da China se reúnem no Azerbaijão e discutem próximos encontros de alto nível

Encontro discute relações com os EUA, crise no Irã, conflito na Ucrânia e sinaliza possível reunião trilateral com Trump

Ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, junto ao seu par russo, Sergei Lavrov, antes da reunião em Baku, capital do Azerbaijão. 14 de outubro de 2026
Ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, junto ao seu par russo, Sergei Lavrov, antes da reunião em Baku, capital do Azerbaijão. 14 de outubro de 2026 | Crédito: Ministério das Relações Exteriores da Federação Russa

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, e o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, se reuniram nesta quarta-feira (14) na capital do Azerbaijão, Baku, às margens da 7ª Cúpula da Conferência sobre Interação e Medidas de Fomento da Confiança na Ásia (Cica), para discutir questões bilaterais e internacionais, segundo comunicado do Ministério das Relações Exteriores da Rússia.

Lavrov afirmou que o “vínculo estratégico” entre Moscou e Pequim “desempenha um papel estabilizador importante no cenário internacional” e informou que o comércio bilateral cresceu 25% nos primeiros oito meses de 2026, com expectativa de que o ano encerre com novo recorde. “As nossas posições sobre a maioria das questões regionais e internacionais coincidem ou estão muito próximas”, disse Lavrov, segundo a agência Sputnik.

Já Wang Yi destacou que os presidentes Xi Jinping e Vladimir Putin realizaram “reuniões frutíferas” em maio e agosto deste ano, orientando a parceria estratégica abrangente “para um novo patamar de alto nível”. Os dois chanceleres discutiram, segundo o Diário do Povo, as relações com os Estados Unidos e as situações na Ucrânia e no Irã. Também dialogam sobre os próximos passos para os encontros de alto nível entre os dois países, no contexto do 25º aniversário do Tratado de Boa Vizinhança, Amizade e Cooperação.

O próximo encontro foi confirmado por agências de notícias russas. Putin virá à China em novembro para a Cúpula da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec, na sigla em inglês), que será realizada na cidade de Shenzhen, no sul do país. Na semana passada, o assessor presidencial russo Yuri Ushakov disse que existe a ideia inclusive de uma reunião trilateral entre China, Rússia e Estados Unidos, já que Donald Trump também comparecerá à Cúpula da Apec. Antes, Putin defendeu que a reunião seja realizada.

Na reunião, Lavrov entregou a Wang Yi um relatório intitulado “Herdeiros de Goebbels: a Falsificação dos Eventos em Bucha e a Encenação Sangrenta do Regime de Kiev”, produzido pelo Tribunal Público Internacional para os Crimes dos Neonazistas Ucranianos. O documento, elaborado com o apoio da Câmara Pública, do Comissariado para os Direitos Humanos e da Associação de Juristas da Rússia, denuncia que a Ucrânia fabricou os eventos de Bucha, em 2022, como parte de uma campanha de desinformação, montando uma cena de massacre com corpos em rua e valas comuns para atribuir à Rússia crimes que não ocorreram como foram apresentados, visando mobilizar a opinião pública internacional contra Moscou.

Entre março e abril de 2022, foram descobertas dezenas de corpos de civis nas ruas e em valas comuns da cidade, a noroeste de Kiev, após a retirada das forças russas de lá.

O que é a Cica

A Conferência sobre Interação e Medidas de Fomento da Confiança na Ásia foi criada em 1992, a partir de uma proposta do então presidente do Cazaquistão, Nursultan Nazarbayev, com o objetivo de ser um fórum pan-asiático de diálogo sobre segurança regional. O encontro de Baku, com o Azerbaijão na presidência da organização desde dezembro de 2024, é a primeira cúpula da Cica desde Astana, capital do Cazaquistão, em 2022.

O espaço reúne 28 países membros e 15 observadores; hoje as áreas de cooperação vão da político-militar, econômica, à humanitária e ambiental. Wang Yi afirmou que a China está “disposta a trabalhar em estreita colaboração com os Estados-membros da Cica, incluindo a Rússia, para praticar o multilateralismo genuíno”. O ministério russo registrou “uma troca de opiniões aprofundada” sobre a cooperação no âmbito da organização.

Antes da Apec em Shenzhen

Durante a Reunião Informal de Líderes da Apec, que acontecerá nos dias 18 e 19 de novembro, Putin e Xi podem ter sua terceira reunião em menos de seis meses, após a visita de Estado à China em maio e o encontro à margem da Cúpula da OCX (Organização de Cooperação de Xangai) em Bishkek, no Quirguistão, em agosto. Em Baku, Wang Yi expressou confiança de que, “com o apoio da Rússia e de outras partes”, o “Ano da China” na Apec alcançará “resultados frutíferos”.

Na OCX de Bishkek, Putin afirmou que as relações Rússia-China “se tornaram um modelo de relações entre Estados” e que Moscou está pronta para “manter intercâmbios de alto nível com a China, fortalecer a cooperação em comércio, energia, indústria, transporte e ciência e tecnologia”. Xi, por sua vez, disse que a parceria terá “uma base mais sólida, avançará em ritmo mais firme e terá perspectivas mais promissoras”.

Editado por: Gia Matheus Almeida

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