A Vitrine Filmes, distribuidora do documentário “Naza“, focado nas vítimas das operações militares israelenses na Palestina, realizou, na noite de quarta-feira (14), uma sessão-debate na Cinemateca Paulo Amorim, da Casa de Cultura Mario Quintana (CCMQ), no Centro Histórico da capital.
O debate contou com a participação de Gabrielle Tolotti, presidente do PSol-RS, jornalista e integrante do Global Sumud Flotilla, iniciativa que fornece ajuda humanitária aos palestinos, e Nader Baja, advogado brasileiro-palestino e co-fundador da Frente Gaúcha de Solidariedade ao Povo Palestino, além da mediação de Katia Marko, jornalista e editora-chefe do Brasil de Fato RS.
O longa, filmado nos telhados de Tel Aviv, cidade a cerca de 60km de Gaza, traz ao público relatos e entrevistas com denúncias sobre o uso de sistemas de Inteligência Artificial na seleção de alvos de bombardeios e depoimentos anônimos de militares e integrantes da inteligência israelense.
Para Gabrielle Tolotti, uma das principais contribuições do longa é voltar a direcionar os olhares do mundo para Gaza. Ao refletir sobre como o público pode contribuir diante da situação, ela destaca a importância da pressão internacional. “Me perguntam: ‘O que podemos fazer?’. Não temos como ir lá e substituir os palestinos. Inclusive, temos orgulho de um povo que há oito décadas resiste… Então, a única coisa que podemos fazer é pressão internacional”, declara.

Dirigido pelos cineastas israelenses Rachel Szor e Yuval Abraham, Naza estreou mundialmente no Festival de Cinema de Veneza 2026, onde recebeu o recorde de 25 minutos de aplausos de pé após a sessão de estreia e venceu o Prêmio Especial do Júri. O título do documentário refere-se à expressão militar hebraica “Nezek Agavi” que significa “dano colateral” e trata-se de um eufemismo utilizado pela inteligência israelense para indicar o número de civis que possivelmente morrerão em um bombardeio.
Nader afirma que, em uma sociedade em que as pessoas aprendem desde crianças a enxergar o outro como inimigo, essa visão acaba reforçando a ideia de que ele é inferior. “Em uma sociedade dominada pelo medo, o outro é aquele que pode nos machucar… e não há nenhuma consequência sobre isso. Isso é a desumanização do palestino”, declara. “E mostra, realmente, que Israel é a mesma desde sua criação até os dias atuais… Que sabe praticar a matança contra os palestinos”.

Segundo os diretores do longa , o filme foi produzido por um senso de obrigação de usar a sua posição como israelenses para examinar e mostrar os processos e sistemas por trás do assassinato em massa de civis palestinos. “Ao filmar membros das forças armadas israelenses em telhados à noite em Tel Aviv nos últimos três anos, nos vimos fazendo as mesmas perguntas que foram feitas pela geração de nossos avós e ao longo do século 20: como um grupo de pessoas permite a desumanização total de outro?”, indagam os cineastas em um artigo e manifesto sobre o filme.
“Em todo filme, a gente viu um fogo e escutou um avião. Imaginem quanto tempo de duração teve. E a última cena é em Gaza, totalmente destruída. Então, é óbvio que não é uma guerra, não existe uma guerra quando um lado está sendo massacrado”, afirma Gabrielle Tolotti. “Hoje, o estado de Israel é a face mais cruel e brutal da extrema direita do mundo”.
No Brasil, o longa está sendo distribuído pela Vitrine Filmes e contará com pelo menos mais uma semana de sessões na Cinemateca Paulo Amorim.

Sinopse
Filmado à noite, nos telhados de Tel Aviv, o documentário foca nas vítimas civis das operações militares de Israel em Gaza. Para compor o longa, os diretores entrevistaram 24 denunciantes das Forças Armadas e dos serviços de inteligência de Israel. Os relatos trazem vários pontos polêmicos, como o uso de sistemas de Inteligência Artificial na seleção de alvos de bombardeios. O filme teve sua estreia mundial no Festival de Veneza de 2026, quando venceu o Prêmio Especial do Júri.

