O presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), voltou a criticar a relação com os EUA, na noite desta quinta-feira (15), em entrevista ao Jornal Nacional. “Nós temos mais coisas do que eles precisam, do que nós precisamos deles”, afirmou o presidenciável.
Lula lembrou que as negociações para dirimir os efeitos do tarifaço seguem em curso. “Minha relação com o Trump é a mais civilizada que eu acho que ele já teve com outro presidente da República. Eu disse ao Trump que era importante que dois homens de 80 anos tivessem juízo e se entendessem, porque não podemos ter desavença entre as duas maiores democracias do Ocidente, e tivemos três reuniões. Eu acho que nós vamos chegar num acordo.”
Ainda de acordo com o presidente, os possíveis efeitos colaterais do tarifaço foram superados pelo governo brasileiro. “Embora tenhamos perdido 9% na relação comercial com os EUA, crescemos 20% com a China, 15% com a Indonésia, 16% com a Alemanha, 13% com o Vietnã e crescemos em outros 20 países que visitamos. Quem deve estar preocupado conosco é os EUA.”
Antes, Lula havia falado sobre a desaprovação de seu governo, flagrada nas pesquisas eleitorais. Os índices têm variado entre 45% e 50%. Lula reconheceu dificuldades em comunicar à população os feitos de seu governo.
“Passamos dois anos tentando recuperar esse país, foram dez ministérios desmontados e quase tudo estava desmontado nesse país. A economia nós tivemos que fazer uma PEC da transição para começar a governar antes da posse, porque não tinha dinheiro para nada. Fizemos muita coisa, eu só lamento que não tive a capacidade de fazer o povo compreender o que fizemos, porque foram muitas coisas”, afirmou Lula.
A jornalista Renata Lo Prete perguntou sobre a relação com o Congresso Nacional. Caso eleito, Lula enfrentará uma oposição ainda maior dentro do Congresso Nacional, que terá uma composição majoritária de parlamentares de direita.
“Eu fui eleito tendo 70 deputados de 513, além de 9 senadores de 81, e nós aprovamos 99% de tudo que quisemos no Congresso Nacional, até mesmo uma Reforma Tributária. Todos os partidos participaram do meu governo. Ou seja, nós tivemos uma grande participação das pessoas no governo, por isso aprovamos tudo. Se não for assim, você não governa o país”, contou Lula.

