Algoritmo tem lado?

‘Meta precisa explicar por que sua IA trata candidatos de uma maneira desigual’, aponta diretor do Coletivo Digital

Rodolfo Avelino aponta ainda assimetria entre mídias: enquanto a Meta lucra, rádios e TVs veiculam propaganda gratuita

Sede da empresa Meta nos EUA.
Sede da empresa Meta nos EUA. | Crédito: Adobestock

Primeiro, foram relatos de restrições de conteúdos nas redes sociais. Depois, a inteligência artificial que não gerava um card com a expressão “Lula 13”, mas criava outro com “Flávio 22”. Além da batalha digital de informações falsas das campanhas de extrema direita, a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem tido que lidar com as manipulações dos algoritmos que trabalham contra.

“É muito grave que uma ferramenta bloqueie material de um candidato e permita material equivalente do adversário em plena disputa acirrada de segundo turno presidencial. A Meta precisa responder por essa diferença de tratamentos e, sobretudo, não simplificar chamando apenas de uma questão de falha técnica. Essa questão não diminui a sua gravidade nem elimina a responsabilidade de quem oferece e controla essa ferramenta”, afirma o professor do Insper e diretor da ONG Coletivo Digital, Rodolfo Avelino, ao jornal É de Manhã, da Rádio Brasil de Fato.

Segundo o especialista, existem mais de mil denúncias de pessoas que tiveram, de certa forma, as suas redes bloqueadas. A coligação de Lula acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra a Meta e criou o canal Censura Digital para reunir denúncias de restrições de conteúdos nas redes sociais.

“A gente não pode acreditar que a inteligência de máquina é neutra. Esses mecanismos são definidos, implementados e testados por essas empresas”, lembra Avelino, que destaca a relação de poder das big techs.

“Estamos falando de empresas que controlam parte importante da circulação de informações, têm interesses na regulação de suas atividades, elas têm livre-arbítrio para fazerem o que elas querem e elas têm um grande poder de relação com o Estado americano. Esse contexto também precisa entrar em uma análise além da técnica”, disse o especialista, recordando os históricos de censura de eleições anteriores.

Além do controle político e de conteúdo, a Meta também tem lucrado com as eleições numa relação assimétrica comparada aos outros veículos de comunicação. “É uma assimetria muito cruel, porque as campanhas e a comunicação eleitoral passam a ser concentradas numa infraestrutura privada. Nesse primeiro turno, a Meta recebeu mais de 270 milhões de reais para a circulação de anúncios. Se a gente compara, por exemplo, com a Rádio Brasil de Fato, ela tem que passar anúncios de propaganda política gratuitamente.”

Para ouvir e assistir

O É de Manhã vai ao ar de segunda a sexta-feira às 07h da manhã na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Gia Matheus Almeida

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