O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) esteve no Congresso Nacional nesta sexta-feira (16) para acompanhar pessoalmente a promulgação do fim da escala 6×1, aprovado na quarta-feira (14) no Senado. As pesquisas divulgadas desde então ainda não conseguem medir o impacto que a pauta pode ter eventualmente na corrida eleitoral, mas já mostram alguma mudança de cenário, em especial, por conta das mobilizações populares.
Segundo o Datafolha, em seu último levantamento datado desta quinta-feira (15), Flávio oscilou para baixo e aparece com 47% e Lula com 45%. Já o PoderData/Aya indica ambos os candidatos com 50% das intenções.
Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, o cientista político Rafael Kritski, doutor em ciência política pela Universidade Federal Fluminense (UFF), destaca que a luta pela redução da jornada de trabalho é uma pauta histórica da classe trabalhadora e, no Brasil, é tema dos movimentos sindicais e populares há décadas. O analista chama a atenção para a emoção em plenário do senador Paulo Paim (PT-RS), de ala antiga do PT, e como lideranças progressistas, como a deputada federal Érika Hilton e o recém-eleito deputado federal Rick Azevedo, ambos do Psol-SP, herdaram a luta.
Além disso, Kritski avalia que não há qualquer dúvida de que há ampla aprovação na sociedade brasileira do fim da escala 6x1. “A tendência em uma eleição em que há uma polarização muito estabelecida é que cada voto importa. “Então, uma bandeira de tanto apelo popular ser aprovada com o carimbo de Lula é um trunfo eleitoral”, ressalta.
O cientista político, no entanto, é bastante racional ao alertar que, neste momento, não dá para considerar nenhuma bandeira a “bala de prata” necessária para a vitória. “Tanto é que, apesar de envergonhado, Flávio votou pelo fim da escala 6×1.”
Na avaliação de Rafael Kritski, os últimos dias, com mobilizações, maior presença na rede e essa vitória no Congresso, mostram uma reorganização da campanha de Lula, que, segundo ele, foi muito morna no primeiro turno. “Finalmente é uma campanha de um governante em reeleição”, avalia.
O analista critica a fala de Lula na sabatina da Globo sobre não saber sobre o aumento do Bolsa Família, como uma demonstração dessa campanha perdida. “Agora, parece que viraram a chave, e essa é consequência de o Lula estar se aproximando de Flávio”, continua.
Sobre a fala da redução da maioridade penal para 16 em casos de crimes hediondos e o anúncio de tarifa zero as finais de semana, Kritski destaca o vigor do presidente, considerando seus 80 anos, a seguir firme na campanha e em entrevistas. “Há uma atenção à necessidade de apresentar futuro, mudança. O primeiro turno ficou muito marcado por apresentar como o Brasil mudou nos governos petistas. Mas, na medida em que há uma crise de expectativa na sociedade, quando Lula apresenta essas propostas que dialogam com anseios da população, ele está tentando dialogar com as preocupações que aparecem como centrais nas pesquisas com a população”, pondera.
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