O presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e o senador e candidato de oposição, Flávio Bolsonaro (PL), aparecem com 50% de intenções de voto no segundo turno, segundo pesquisa PoderData, divulgada nesta sexta-feira (16). Outras pesquisas divulgadas ao longo da semana já mostravam uma leve queda de Flávio e uma recuperação de Lula.
Na avaliação da cientista política Rosemary Segurado, diretora do Coletivo Digital, o acirramento da disputa chegou ao ápice e seguirá assim até o dia 25 de outubro. Contudo, nas pesquisas divulgadas desde o início da semana, suas pequenas variações e alguns movimentos de campanha dos candidatos indicam uma “onda de virada”.
Segurado observa que as diferenças dos candidatos desde o encerramento do primeiro turno seguem na margem de erro. “Isso aparece nas pesquisas pela maneira como os apoiadores do presidente Lula demonstraram uma fortíssima reação nas ruas e nas redes. Porque eu acho que a política hoje se desenvolve nesse fluxo: das ruas para as redes, das redes para as ruas”, pondera.
Para ela, a disputa está bastante colocada e a conquista se direciona para os poucos indecisos e para a grande parcela de abstenções. Rosemary Segurado compara a postura de Flávio Bolsonaro após o primeiro turno, que deu declarações como se já tivesse sido eleito, e a campanha de Lula, que iniciou uma verdadeira mobilização de vira-voto.
“A campanha de Flávio passa uma arrogância. Ainda existe uma eleição em curso. O segundo turno é outra eleição. Ou seja, nós vamos redefinir apoio, vamos ver quem votou em candidato que não foi para o segundo turno. Esse voto terá que ser repensado. Quando a candidatura se coloca nesse salto alto, e muita gente não gosta dessa postura, pode desmobilizar os próprios eleitores”, afirma.
Segurado reputa essa mudança de cenário à forte reação provocada quando o eleitorado de Lula se deparou com a derrota no primeiro turno. Segundo a analista, houve um forte temor, e era justificado. “O risco é o que esse projeto de Flávio significa para o Brasil, para a América Latina e para o campo progressista. Quando as pessoas perceberam isso, começaram a notar que talvez tenha faltado engajamento, participação. A Avenida Paulista ficou forrada de pessoas [a favor de Lula], e isso é muito importante”, aponta. “Tudo isso gera um efeito contágio.”
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