Durante evento de apoio à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na região central de São Paulo neste sábado (17), a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva contestou as declarações do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) a respeito do desmatamento na Amazônia.
O discurso ocorreu em um sindicato na área central da capital paulista, após caminhada acompanhada pelo vice-presidente Geraldo Alckmin e pelos ex-ministros Fernando Haddad e Simone Tebet. Durante o discurso, Marina criticou as afirmações proferidas pelo parlamentar na sabatina do Jornal Nacional exibida na noite de sexta-feira (16).
“O Flávio Bolsonaro foi dizer lá no debate ontem que era o maior desmatamento do governo do presidente Lula. É um incompetente. Eu vou imitar o Darcy Ribeiro: ‘um ignorante'”, disse a ex-ministra.
Marina citou estatísticas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) para rebater o parlamentar, ressaltando que os indicadores oficiais registram a menor taxa de destruição da série histórica na região amazônica.
Na entrevista à TV Globo, o candidato do PL disse que o governo atual acumularia recordes de degradação ambiental no bioma e afirmou ter sido o mês de outubro com maior índice de queimadas no país.
Em 2025, a Amazônia Legal registrou a menor taxa de desmatamento da série histórica iniciada em 1985, acumulando 693 mil hectares de vegetação suprimida. Desse total, 639 mil hectares correspondem à vegetação primária, enquanto 54 mil hectares ocorreram em vegetação secundária.
Os dados integram levantamento do MapBiomas e apontam a redução no ritmo de destruição do bioma no período recente. O estudo mostra que, entre 1985 e 2025, a Amazônia perdeu 54,7 milhões de hectares de cobertura nativa, ao passo que a área ocupada pela agropecuária cresceu 440%.
A pastagem representou o primeiro uso do solo em 77% dos casos de desmatamento no período. Além disso, a ocupação agrícola se expandiu de 161 mil hectares em 1985 para 8,6 milhões de hectares em 2025, impulsionada pela lavoura de soja, que saltou de 1,4 mil hectares para 7 milhões de hectares no mesmo intervalo.
A área mais atingida pela remoção de vegetação situa-se na Amacro, zona de fronteira entre Amazonas, Acre e Rondônia, responsável por 13% de toda a perda de vegetação nativa registrada no bioma.
O levantamento destaca ainda que a presença da agropecuária no entorno de territórios protegidos teve um crescimento de 561% desde 1985, ocupando 31% dessas faixas de amortecimento.

