O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) questionou, neste domingo (18), o candidato de extrema direita Flávio Bolsonaro (PL) por sua proximidade com o mandatário argentino Javier Milei. Durante o debate na TV Bandeirantes, Lula perguntou se o bolsonarista segue reivindicando “o modelo de Milei”.
“Você tem acompanhado como está a Argentina?”, questionou Lula. “Você continua dizendo que o teu modelo é o modelo do Milei?”
“Eu só quero saber se você vai seguir este modelo. A tua mulher da economia fala que o Milei é o modelo, a motosserra do Milei. Você sabe quanto é que está a pobreza da Argentina? O desemprego? Você tem acompanhado a economia da Argentina? Se não, leia, pra você nunca mais dizer que vai acompanhar o Milei”, disse.
A pobreza na Argentina voltou a subir no primeiro semestre de 2026. Segundo dados do Indec, o instituto de estatísticas argentino, 32,3% da população está abaixo da linha da pobreza na primeira metade deste ano, considerando 31 aglomerados urbanos. O número representou um aumento de 4,1 pontos percentuais em relação ao segundo semestre de 2025.
Já a taxa de desemprego atingiu o patamar elevado de 7,9%. Entre 2023 e meados de 2026, o país registrou a eliminação de cerca de 245 mil postos de trabalho formais e com carteira assinada.
O presidente argentino está se engajando por Flávio Bolsonaro desde o início da campanha. Ele esteve em São Paulo para o lançamento da candidatura e segue apoiando o ultradireitista pelas redes.
Motosserra de Milei
Desde que assumiu em 2023, Milei vem implementando uma agenda ultraliberal que impôs um severo corte social, que eliminou diversos ministérios, cortou programas sociais e escolheu setores da população como alvos dos ajustes econômicos.
Entre elas, os aposentados, já que o setor previdenciário respondeu por grande parte do ajuste fiscal, com cerca de 19,2% da redução de gastos do Estado. Houve o fim de moratórias previdenciárias, que fez o número de aposentados despencar 53% desde 2024, além do congelamento do bônus em 70 mil pesos.
Já os repasses a programas sociais — principalmente à AUH (Asignación Universal por Hijo, o Bolsa Família argentino) — sofreram uma redução real de 45,6%.
As transferências de recursos para as universidades públicas sofreram um corte de 27,9%. Houve cortes de 40% nos subsídios ao transporte e de 34% no setor elétrico, o que provocou aumentos expressivos nas tarifas, com aumentos de mais de 100%.
Isso tudo enquanto o país segue tomando dívida com o FMI. A Argentina já tinha uma das maiores dívidas do mundo, contraída durante o governo Mauricio Macri, de US$ 57 bilhões. Mas o governo Milei contraiu mais uma dívida bilionária de US$ 20 bilhões.

