Clima bélico

Suspeita de explosivo em carro que seria da equipe de Flávio Bolsonaro isola imprensa na Band após debate

Repórter do Brasil de Fato estava no local; capitão do GATE confirmou, mais tarde, que ameaça estava descartada

Live do Brasil de Fato traz informações específicas do debate presencial da Band
Live do Brasil de Fato traz informações específicas do debate presencial da Band | Crédito: Reprodução/YouTube

Atualizada às 00h19

Uma denúncia de que um explosivo teria sido colocado dentro de um carro estacionado na TV Bandeirantes, no Morumbi, na zona sul de São Paulo (SP), levou ao isolamento da imprensa após o debate entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), na noite deste domingo (18). Segundo informações repassadas aos jornalistas, a suspeita recai sobre o veículo em que estava a equipe do candidato do PL.

O supervisor de jornalismo e repórter do Brasil de Fato Igor Carvalho, que acompanhou o debate dos estúdios da emissora, relatou o episódio ao vivo na live de análise do BdF. “Toda a imprensa foi retirada aqui da nossa área por uma suspeita de um explosivo”, contou.

“Não temos, repito, a confirmação de que seja o carro do Flávio Bolsonaro, mas o que nos foi passado aqui, por parte da imprensa, por parte da assessoria, [é] que a suspeita é dentro do veículo onde estava a equipe do Flávio Bolsonaro”, afirmou o repórter.

Hora depois, o capitão do esquadrão anti-bombas do GATE do estados de São Paulo descartou a existência de artefato explosivo e explicou a situação.

“São só misturas que volatilizaram e traíram a noção dos cães”, disse, em referência ao trabalho dos cães farejadores. “Um dos componentes pode ser amônia, ou um perclorato, algo que indicou para o cão que poderia ser uma bomba, mas não era. Está descartado”.

Imprensa isolada

Carvalho mostrou ao vivo o carro aberto, isolado pela Polícia Militar, e agentes vestindo trajes especiais para fazer a vistoria. “Nós já temos aqui alguns policiais já se vestindo com uma roupa especial para possivelmente retirar esse artefato de dentro do carro”, relatou. Pouco depois, os policiais se aproximaram do veículo e começaram a mexer no carro.

Os jornalistas foram mantidos em uma área externa da garagem dos estúdios, a poucos metros do carro. “Acredito até que deveríamos estar mais distantes”, disse o repórter. Estava prevista no local uma rodada de entrevistas rápidas com Lula, Flávio Bolsonaro e integrantes das comitivas, que reuniam ao menos quatro governadores, três senadores, ministros e ex-ministros.

Durante a transmissão, Carvalho registrou a saída apressada do ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, “levado pela sua equipe, pelos seguranças”.

O repórter também relatou que, mesmo antes do episódio, a imprensa havia sido isolada durante todo o debate, sem o acesso habitual a parlamentares, equipes e candidatos. “Eu já faço acompanhamento de debates aqui nas emissoras há pelo menos 15 anos e é muito comum que a gente consiga ter acesso aos parlamentares, consiga ter acesso às equipes, aos candidatos. E hoje isso não foi possível”, disse.

‘Clima bélico’

Sobre o ambiente no estúdio, Carvalho descreveu “um clima bélico”, com as equipes dos dois candidatos interferindo no debate a todo momento. “Principalmente a equipe de Flávio Bolsonaro tentando atrapalhar o debate, gritando muito, fazendo piadas, fazendo alguns chistes no meio das falas do Lula”, afirmou.

Do lado de fora, segundo o repórter, oito apoiadores aguardaram a chegada de Flávio Bolsonaro, enquanto ao menos uma centena de militantes do PT esperou por Lula, com “muito xingamento das duas partes”.

Para Carvalho, o debate foi marcado pelo rebaixamento da política que acompanha a ascensão da extrema direita. “O Lula político acostumado a debate, que debateu com gente do nível de Plínio de Arruda Sampaio, Fernando Henrique Cardoso, Mário Covas, teve que se submeter a um debate de um político do submundo da política”, disse.

A avaliação ecoa a do cientista político Paulo Roberto Sousa, que, na mesma live, classificou a postura de Flávio Bolsonaro como “arrogante”.

Editado por: Rafaella Coury

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