O presidente e candidato a reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta segunda-feira (19), em Porto Alegre, que entregará ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma autorização para abertura dos sigilos bancário e telefônico dele e dos cinco filhos e cobrou que Flávio Bolsonaro (PL) faça o mesmo. Em coletiva antes da caminhada no centro da cidade, disse que apresentará o documento nesta terça-feira (20) para que a Justiça investigue e a população saiba “quem é ladrão ou quem não é ladrão neste país”. Ao se referir ao adversário, afirmou que o país não pode ter um “miliciano” e “ladrão” na Presidência.
“Eu não posso permitir que um miliciano fique atrás de mim num debate, com um escrito na mão: ‘Corrupto’. Porque corrupto é a família dele, é ele. A única coisa que eu estou pedindo é que ele tenha coragem de provar que é honesto”, afirmou, em referência ao debate da TV Bandeirantes de domingo (18), quando Flávio exibiu a palavra escrita na palma da mão.
No primeiro debate do segundo turno, Lula propôs o acesso aos dados dos candidatos e familiares antes da eleição, marcada para domingo (25). Flávio não confirmou se aceitaria o desafio. Na capital gaúcha, o presidente voltou a cobrar que a iniciativa alcance também as empresas do adversário.
Lula afirmou que incluiu os cinco filhos porque a família é alvo de acusações a cada eleição e reiterou que esta será sua última candidatura. “Essa é a minha última disputa eleitoral, minha última disputa. E eu não posso deixar que um ladrão tente jogar minha biografia no lixo”, declarou.
O presidente também questionou a origem dos recursos usados pelo senador para comprar uma casa que, segundo Lula, custou R$ 10 milhões. “Esse país não pode ter um miliciano na Presidência da República desse país”, afirmou.
Ao encerrar a cobrança, acrescentou: “O desafio está feito. É importante que ele saiba que amanhã eu vou entregar, e eu fico na expectativa de que ele entregue, para que a Justiça possa investigar”.
Dívidas, jornada de trabalho e transporte gratuito
Na coletiva, Lula também abordou medidas econômicas e trabalhistas. Afirmou que o Congresso Nacional aprovou uma anistia de R$ 15 bilhões em dívidas de microempreendedores individuais (MEIs). Segundo ele, eram valores inscritos na dívida ativa da União que os devedores não conseguiriam pagar.
O presidente disse ainda que pretende comprar dívidas por meio de leilão, com expectativa de descontos de cerca de 95%, para permitir que as pessoas se livrem de débitos contraídos desde a pandemia de covid-19. Também anunciou um Pix de R$ 5 mil para quem se livrar dessas dívidas. “Não é empréstimo. É o Estado garantindo que essas pessoas comecem uma nova vida sem ficar devendo”, afirmou.
Lula também destacou que “foi aprovado o fim da escala 6×1”, regime em que se trabalha seis dias para ter uma folga. O presidente vem defendendo a proposta nos últimos meses e considerou a aprovação “um marco na história do país para a classe trabalhadora”. Na coletiva, mencionou a garantia de dois dias de descanso por semana.
O presidente disse também que enviou ao Congresso uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para garantir transporte gratuito nas cidades que dispõem do serviço. Segundo ele, o financiamento da gratuidade viria das emendas parlamentares. “Cada senador vai ter o privilégio de abrir um pouco da sua emenda para que o povo possa passear de graça”, declarou.
Lula também comparou a escolha eleitoral a jogos de azar e afirmou ter acabado com as bets. “Não é um jogo de loteria, não é um jogo de bet, porque eu já acabei com as bets. É um jogo de defender os interesses soberanos do nosso país”, disse.
Relação com Porto Alegre e busca de votos
Lula esteve acompanhado do senador Paulo Paim (PT), do ex-governador Olívio Dutra (PT), da ex-deputada Manuela d’Ávila (Psol), dos deputados federais Paulo Pimenta (PT), Elvino Bohn Gass (PT) e Maria do Rosário (PT), além do ex-presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e coordenador da campanha de Lula no Rio Grande do Sul, Edegar Pretto (PT).
“Vir ao Rio Grande do Sul é visitar um pedaço da minha história”, afirmou Lula ao recordar a primeira visita a Porto Alegre, quando presidia o Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e veio à posse de Dutra na presidência do Sindicato dos Bancários. Citou ainda a relação com o ex-governador Tarso Genro, então advogado da entidade, e com Paim, desde a época em que ele presidia o Sindicato dos Metalúrgicos de Canoas.
A visita ocorre na reta final da campanha em uma cidade onde Lula recebeu 48,57% dos votos válidos no primeiro turno, contra 41,86% de Flávio Bolsonaro. Na Capital, foram 377.252 votos para o presidente e 325.139 para o adversário.
“Eu vim aqui para que a gente aumente os nossos votos nesse segundo turno e a gente derrote o Bolsonaro”, afirmou ao chamar os apoiadores para a caminhada.
Após a coletiva, Lula seguiu a agenda do ato, percorrendo as ruas do centro de Porto Alegre acompanhado de uma multidão.

