O debate entre os presidenciáveis na TV Band expôs um Flávio Bolsonaro (PL) despreparado, que não respondeu às perguntas formuladas por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e que não conseguiu falar de temas básicos a qualquer candidato, como a saúde.
Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, a cientista política Larissa Gomes Peixoto, pesquisadora na Universidade de Edimburgo, considera que a performance de Flávio evidencia seu “discurso raso” e que isso pode pesar ao eleitor indeciso. “O fato de ele não ter respondido a perguntas sobre propostas de políticas públicas, o entreguismo aos EUA, sobre privatização do SUS, sobre a licença-maternidade, o fato de ele não conseguir produzir essas respostas, mostra o discurso raso”, afirma.
O formato do debate, segundo a pesquisadora, prestou um “desserviço” ao eleitorado. “A gente viu aquelas estratégias de Donald Trump, de Jair Bolsonaro, de ficar perseguindo a pessoa pelo palco e falando por cima. Isso é muito difícil de conseguir manter a calma, a paz. O formato não ajudou, a Band não ajudou a população brasileira”, destaca.
Peixoto criticou as propostas de Flávio Bolsonaro que versam sobre inteligência artificial como solução para tudo. “É uma coisa do bolsonarismo, dessa extrema direita racista, trumpista, como se a inteligência artificial fosse consertar tudo”, aponta. Já as propostas que vieram de Lula, segundo a cientista política, “são sérias, de um crescimento gradual de políticas que já funcionam”.
Para o jornalista Igor Carvalho, que fez a cobertura do debate in loco pelo Brasil de Fato, o que ficou bastante evidente durante o debate foi a “transferência do clima das ruas para dentro do estúdio”. “É triste perceber que o debate político no Brasil chegou àquele ponto”, resume.
Carvalho observa que o formato do debate fez com que parecesse mais uma “rinha de galo” do que um espaço de comparação de candidaturas e propostas. “Me pareceu, em alguns momentos, que eu estava assistindo a um debate do Pânico, da Jovem Pan, entre dois deputados subterrâneos da política. E eu lamento que nós estejamos vendo o maior líder da história política do Brasil sendo sugado pela extrema direita, pelo bolsonarismo, dessa maneira”, aponta.
“Lula venceu por pouco, mas venceu, porque respondeu ao que foi perguntado e falou sobre o seu projeto de país. Mas Lula não conseguiu trazer Flávio para o seu nível. Ele foi sugado pelo baixo nível do Flávio”, argumenta.
Para ouvir e assistir
O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

