detidos e feridos

França anuncia toque de recolher e prepara novas medidas de segurança em meio aos protestos

Governo Macron estuda decretar estado de emergência; estudantes, sindicatos e coletes amarelos convocam novos atos

Premiê francês Sébastien Lecornu
Premiê francês Sébastien Lecornu | Crédito: Departamento de Defesa dos EUA/Wikimedia Commons

O primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, anunciou, nesta segunda-feira (19), que o governo adotará toques de recolher em áreas específicas de grandes cidades, incluindo a possibilidade de restrições em Paris. As medidas foram anunciadas depois de manifestações realizadas no sábado (17), seguidas de novos episódios de violência no domingo (18).

Milhares de pessoas, incluindo secundaristas, universitários, os chamados “coletes amarelos” e trabalhadores, protestaram no final de semana, dando fôlego à onda de manifestações iniciada pelos estudantes secundaristas. Pelo menos 2.400 pessoas foram detidas e várias ficaram feridas em todo o país. Cerca de 70% dos detidos são maiores de idade e mais de 80% dos casos já resultaram em processos judiciais.

Após uma reunião interministerial de crise, realizada no Ministério do Interior, em Paris, nesta segunda, Lecornu informou que determinou aos prefeitos a adoção de toques de recolher “parciais e muito localizados”, com início previsto para a noite desta segunda-feira (19).

Segundo o premiê, as restrições serão concentradas em centros urbanos e áreas comerciais, e o mapa das localidades afetadas será divulgado após consultas às autoridades locais. O primeiro-ministro também admitiu a possibilidade de decretar estado de emergência, caso considere necessário. O governo anunciou ainda uma “resposta judicial em larga escala” contra os responsáveis pelos atos de violência.

“No sábado, apesar das cenas de violência extrema e dos importantes danos materiais, ninguém morreu, e isso é um milagre”, declarou Lecornu. Sobre a atuação das forças de segurança, o premiê disse que “não há nada a esconder” e declarou que policiais e unidades especializadas desempenharam bem suas funções.

Forças de segurança falharam

Apesar da defesa feita pelo primeiro-ministro, o ministro do Interior, Laurent Nuñez, reconheceu que as forças de segurança não conseguiram conter os distúrbios em determinadas cidades. “Em algumas grandes cidades, quando há centenas de estabelecimentos comerciais saqueados, não se pode olhar para os comerciantes e dizer que não perdemos o controle”, afirmou à rádio France Inter nesta segunda.

Posteriormente, em coletiva de imprensa ao lado de Lecornu, ele afirmou: “Vamos reforçar ainda mais o efetivo da polícia e da gendarmeria nas ruas, especialmente neste fim de semana”. No domingo, Nuñez chegou a apresentar seu pedido de demissão, o que foi recusado pelo presidente francês, Emmanuel Macron.

Em comunicado, o Palácio do Eliseu justificou a decisão pela “necessidade de assegurar a continuidade do comando das forças de segurança no contexto atual”. Macron também determinou que o Ministério do Interior adotasse “todas as medidas necessárias para garantir total transparência sobre as falhas de planejamento e de inteligência que levaram a esses episódios de violência”.

O presidente francês exigiu ainda a implementação de “novas táticas policiais em campo, o mais rapidamente possível”. Além do reforço das medidas de segurança, o Executivo francês anunciou mecanismos de apoio a cerca de 3 mil estabelecimentos comerciais atingidos pelos saques e depredações.

A partir de terça-feira (20), os comerciantes poderão recorrer a um regime de redução temporária da jornada de trabalho, com compensação salarial financiada pelo Estado, para preservar os empregos durante a recuperação das atividades.

Novos protestos

Os movimentos sociais mantêm novas mobilizações para os próximos dias. A coordenação dos coletes amarelos, responsável pelas manifestações de sábado (17), anunciou um “Ato II”, com protestos previstos para 24 e 31 de outubro. Após o pronunciamento de Macron na televisão no domingo, o movimento classificou o discurso presidencial como “vazio” e reivindicou uma reunião no Palácio do Eliseu com representantes dos diferentes setores mobilizados.

A Coordenação Nacional dos Estudantes do Ensino Médio, que reúne representantes de escolas mobilizadas em 27 cidades, convocou atos para os dias 22 e 24 de outubro. Em comunicado, a organização declarou apoiar “todas as formas de continuidade da mobilização: bloqueios, manifestações e ocupações”.

As centrais sindicais CFDT, CGT, FO, Unsa e FSU também anunciaram uma greve e manifestações para 5 de novembro, em defesa dos salários, dos serviços públicos, do emprego e da indústria.

Editado por: Opera Mundi
Conteúdo originalmente publicado em: Opera Mundi

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