Grammy latino

Johnny Hooker é artista, nordestino, latino-americano: ‘A política permeia toda a minha obra’

Cantor e compositor fala da parceria com Ney Matogrosso e do momento político atual

Ney Matogrosso e johnny hooker
Ney Matogrosso e Johnny Hooker | Crédito: Divulgação

O cantor e compositor pernambucano Johnny Hooker comemora a primeira indicação ao Grammy Latino pela música “Viver e morrer de amor na América Latina”, gravada com Ney Matogrosso.

Ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, Hooker fala da honra que foi gravar com Ney e que, quando compôs a canção, já tinha o intérprete em mente. “Ter a colaboração dessa lenda junto comigo foi uma das minhas grandes honras. Já é meu quarto álbum de estúdio; as temáticas e as coisas que já trouxe do Brasil entram em confluência nesse quarto trabalho. E, para falar de América Latina, ninguém mais indicado do que Ney Matagrosso, que já cantou lindamente a América do Sul nesses mais de 50 anos. Aprendi muito com ele”, afirma.

Para Hooker, ser um artista que se posiciona politicamente, às vezes, pode ter um preço alto, mas ele afirma que sempre teve “sorte e privilégio de poder contar com pessoas na mídia e dentro das estruturas da música para fazer com que minha mensagem chegasse às pessoas”.

Premiado diversas vezes, o artista afirma que o Grammy tem um sabor especial. “Quando você é indicado a um prêmio desse, você entra no radar da música que está sendo feita na América Latina. Então, nesse mês, eu tive oportunidade de trocar com artistas de toda a América Latina que muitas vezes a gente não conhece”, afirma.

Sobre o título da música que recebeu a indicação, e que também dá nome ao álbum, o cantor e compositor afirma sentir falta de composições de protesto, como é possível ver com mais frequência dentro do rap e hip hop. Ele relembra da América Latina do final dos anos 1970 e início dos anos 1980, época auge de Ney e de tantas outras bandas que cantavam a liberdade de ser e pensar.

“O rock deu uma encaretada, a MPB ficou um pouco rígida para tratar de algumas questões, mas eu acho que agora, mais do que nunca, nesse momento turbulento do Brasil e do mundo, as canções de protesto são muito necessárias”, defende.

Para ele, a canção indicada traz o amor como um sentimento transformador e de resistência, e destaca que a questão política permeia toda a sua obra. “Por ser artista nordestino, recifense, que viu uma revolução acontecer no nordeste com políticas públicas que mudaram a vida das pessoas”, avalia.

“Eu quero trazer também esse sentimento do que é viver na América Latina, que historicamente foi explorada, oprimida, massacrada, deixada à míngua, mas, ao mesmo tempo, floresce tão linda na sua cultura, na sua resistência, na sua filosofia, na sua música que se conversa”, explica.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Rafaella Coury

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