A multinacional Meta, empresa que administra o WhatsApp, Instagram e Facebook, foi alvo de um protesto na tarde desta segunda-feira (19), no Itaim Bibi, bairro da zona sul de São Paulo (SP).
Dani Silva, diretora-executiva da Ctrl+Z, uma das entidades à frente da manifestação, criticou a postura da Meta no processo eleitoral brasileiro.
“Não podemos dizer que temos eleições justas a partir do momento em que temos uma empresa utilizando o seu poder econômico, técnico e tecnológico para pender para um dos lados do debate público, que é o que está acontecendo”, afirmou Silva.
O sociólogo e professor da Universidade Federal do ABC (UFABC), Sérgio Amadeu, concorda que haverá prejuízo à campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no fechamento das urnas.
“A Meta reconheceu que houve problemas técnicos, mas esses problemas prejudicam apenas um lado, o do presidente Lula. É muito difícil imaginar que um político brasileiro tenha uma publicação com maior engajamento do que artistas internacionais como a Beyoncé. É o que tem acontecido no Brasil, com o [deputado federal do PL] Nikolas Ferreira. O grupo Meta está interferindo de forma brutal na eleição”, sentenciou Amadeu.
Camila Moraes, secretária-geral da União Nacional dos Estudantes (UNE) e militante do Levante Popular da Juventude, afirmou que o país precisa trabalhar por uma regulação das redes sociais.
“Não podemos permitir que Donald Trump, Elon Musk e Mark Zuckerberg sigam lucrando com a mentira e a manipulação. Temos que defender a soberania brasileira, e isso só é possível em um governo Lula”, determinou Moraes.
De acordo com os organizadores, foram cerca de 500 manifestantes na frente da sede da Meta, em São Paulo.
Entenda
Durante a corrida eleitoral, as redes sociais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foram prejudicadas. A Meta admitiu que “incidentes técnicos” afetaram a possibilidade de impulsionamento dos conteúdos do petista.
Em nota, a Meta se posicionou sobre a acusação de que tem influenciado a eleição brasileira, favorecendo a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL).
“A Meta não toma partido nessa nem em nenhuma outra eleição, e são falsas e infundadas as alegações de que estamos favorecendo ou interferindo em nome de qualquer candidato ou grupo político. Nossos sistemas não classificam nem distribuem conteúdo com base em ideologia política, e nossas regras e sua aplicação valem igualmente para todos”, encerrou a empresa.


