Mais de 600 mil famílias do Paraná estão no centro do debate sobre as mudanças no Bolsa Família propostas pela campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL). Nesta segunda-feira (19), a coordenadora econômica do candidato, Daniella Marques, defendeu a criação de um período de transição de dois anos para que os beneficiários consigam emprego ou abram um negócio antes de deixar o programa.
Segundo dados da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Social e Família (Sedef), apresentados ao Conselho Estadual de Assistência Social (Ceas-PR), o Paraná tinha 601.724 famílias beneficiárias do Bolsa Família em janeiro de 2026. Naquele mês, os repasses federais somaram R$ 378,2 milhões.
A proposta foi apresentada por Daniella Marques em entrevista à CBN Bahia, a seis dias do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro. Flávio Bolsonaro disputa a Presidência com Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição.
“Vai ter regra de transição de dois anos para que possa abrir seu negócio, ou aceitar emprego de carteira assinada. E um retorno automático caso dê errado. As pessoas não podem ficar presas para sempre no Bolsa Família. Aquilo é uma proteção, mas é o início de uma jornada”, afirmou Marques.
A coordenadora também defendeu a criação de um Ministério da Prosperidade, responsável por oferecer crédito, capacitação profissional e parcerias com empresas privadas para incentivar a geração de renda.
O que mudaria no Bolsa Família
Atualmente, o programa possui uma regra de proteção que permite às famílias continuar recebendo parte do benefício quando conseguem emprego ou aumentam seus rendimentos, desde que respeitem os limites de renda e os prazos estabelecidos pelo governo federal.
Para famílias que ingressaram na regra de proteção a partir de julho de 2025, o pagamento de 50% do benefício pode ser mantido por até 12 meses quando a renda adicional é variável, desde que a renda mensal por pessoa não ultrapasse R$ 706. Em determinadas situações de renda estável, o prazo é de até dois meses. Quem ingressou anteriormente segue regras específicas, com permanência de até 24 meses.
A proposta apresentada pela campanha de Flávio Bolsonaro prevê uma transição de dois anos, com possibilidade de retorno automático ao programa caso a tentativa de inserção no mercado de trabalho ou de abertura de negócio não tenha sucesso.
Daniella Marques, entretanto, não esclareceu se o prazo começaria a contar a partir do ingresso no Bolsa Família ou somente depois que a família conseguisse aumentar sua renda. Também não detalhou quais seriam os critérios para desligamento e retorno.


