CORTES DE ORÇAMENTO?

Proposta de Flávio Bolsonaro para Bolsa Família pode afetar mais de 600 mil famílias no Paraná

Coordenadora econômica da campanha defende desligamento após dois anos de transição

O Bolsa Família foi criado em 20 de outubro de 2003, por meio da Medida Provisória nº 132, no governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
O Bolsa Família foi criado em 20 de outubro de 2003, por meio da Medida Provisória nº 132, no governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) | Crédito: Roberta Aline/Ministério do Desenvolvimento Social

Mais de 600 mil famílias do Paraná estão no centro do debate sobre as mudanças no Bolsa Família propostas pela campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL). Nesta segunda-feira (19), a coordenadora econômica do candidato, Daniella Marques, defendeu a criação de um período de transição de dois anos para que os beneficiários consigam emprego ou abram um negócio antes de deixar o programa.

Segundo dados da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Social e Família (Sedef), apresentados ao Conselho Estadual de Assistência Social (Ceas-PR), o Paraná tinha 601.724 famílias beneficiárias do Bolsa Família em janeiro de 2026. Naquele mês, os repasses federais somaram R$ 378,2 milhões.

A proposta foi apresentada por Daniella Marques em entrevista à CBN Bahia, a seis dias do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro. Flávio Bolsonaro disputa a Presidência com Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição.

“Vai ter regra de transição de dois anos para que possa abrir seu negócio, ou aceitar emprego de carteira assinada. E um retorno automático caso dê errado. As pessoas não podem ficar presas para sempre no Bolsa Família. Aquilo é uma proteção, mas é o início de uma jornada”, afirmou Marques.

A coordenadora também defendeu a criação de um Ministério da Prosperidade, responsável por oferecer crédito, capacitação profissional e parcerias com empresas privadas para incentivar a geração de renda.

O que mudaria no Bolsa Família

Atualmente, o programa possui uma regra de proteção que permite às famílias continuar recebendo parte do benefício quando conseguem emprego ou aumentam seus rendimentos, desde que respeitem os limites de renda e os prazos estabelecidos pelo governo federal.

Para famílias que ingressaram na regra de proteção a partir de julho de 2025, o pagamento de 50% do benefício pode ser mantido por até 12 meses quando a renda adicional é variável, desde que a renda mensal por pessoa não ultrapasse R$ 706. Em determinadas situações de renda estável, o prazo é de até dois meses. Quem ingressou anteriormente segue regras específicas, com permanência de até 24 meses.

A proposta apresentada pela campanha de Flávio Bolsonaro prevê uma transição de dois anos, com possibilidade de retorno automático ao programa caso a tentativa de inserção no mercado de trabalho ou de abertura de negócio não tenha sucesso.

Daniella Marques, entretanto, não esclareceu se o prazo começaria a contar a partir do ingresso no Bolsa Família ou somente depois que a família conseguisse aumentar sua renda. Também não detalhou quais seriam os critérios para desligamento e retorno.

Editado por: Murilo Bernardon

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